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Prioridades...

Quando acaba uma etapa suspiramos de alívio. Umas vezes estamos contentes, outras chateados, mas nunca indiferentes. Outras vezes estamos tão arrasados que, para além do cansaço, nada mais sentimos e tudo se torna indiferente. Seja como for, mal o camião para a grande prioridade consiste em aliviar a tensão urinária. Curiosamente, nem sempre tenho essa prioridade pois, embora beba bastante durante o percurso, também transpiro muito e, mesmo que conduza seis ou mais horas seguidas, nem sempre a bexiga enche. Normalmente tenho os homens da televisão à minha espera para uma pequena entrevista e, chegados ao acampamento, a prioridade é mesmo comer. Com o estômago reconfortado montamos as tendas.

O Zé vai sempre tomar o seu duche e entrega-se à sua tarefa fundamental que consiste em marcar o Roadbook para o dia seguinte. O sucesso da etapa depende, em parte, desse trabalho.

Eu divido-me entre a necessidade de descansar, esticando-me no colchão insuflável, e as minhas obrigações complementares à condução: escrever e dar a mão a todo o tipo de situações que surja na equipa. Às vezes não consigo mesmo descansar porque há sempre muita coisa para fazer.

O Marco troca o fato de competição pelo fato de trabalho e dedica-se à mecânica. Pouco descansa durante o rali e é um verdadeiro herói. Hoje está sozinho. O Vítor Pacheco, o mecânico que nos acompanhava neste rali, teve uma crise de apendicite e vai ser evacuado de urgência esta noite ou amanhã e, mal chegue, terá de ser operado. Faço votos que tudo corra bem com ele e que recupere rápido, mas a equipa fica fragilizada. O desgaste do material neste rali é muito grande e para se chegar ao fim é preciso fazer um bom trabalho de manutenção. De forma nenhuma é trabalho para uma pessoa só. Sei que o Marco é capaz de o fazer, tem uma fibra especial, mas o cansaço aqui é madrasto para qualquer um. Por isso a situação não deixa de ser preocupante.

Por outro lado, a situação do camião condiciona o estado de espirito de toda a equipa. Quando está sólido todos se sentem confiantes e animados. Há sempre a esperança de se conseguir um bom resultado. Por outro, se algum problema perdura sentimo-nos desconcertados, desanimados eu diria até defraudados pela sorte pois trabalhamos seriamente para que esteja sempre tudo em forma. Enfim, neste momento temos vários problemas que temos de gerir com muito cuidado. Contudo, no meio de tudo isto, por mais ridículo que possa parecer, a possibilidade de ter de tirar os amortecedores de direção deixa-me profundamente abatida.
A minha prioridade aqui é andar rápido... E sem eles não o poderei fazer!
Por Elisabete Jacinto
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