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Entrámos na Mauritânia

A crónica da piloto portuguesa

A passagem das fronteiras, ao contrário do ano passado, foi super rápida. O organizador conseguiu que as formalidades da Mauritânia se fizessem no acampamento, o que foi uma grande proeza. Ganhámos muito tempo e conseguimos até almoçar com a nossa assistência antes de partir para o troço cronometrado. Foi bom porque a alvorada hoje foi às cinco da manhã.

Com a passagem da fronteira a paisagem muda radicalmente. Uma areia de um tom bege muito claro cobre todo o horizonte. Aqui e acolá vêm-se dunas em forma de meia-lua. Perante este areal não consigo deixar de sentir uma terrível sensação de falta de ar. Confesso que, apesar de todas as contrariedades, estou confiante em relação às etapas que me esperam neste pais, mas sinto-me sufocar! Nada a fazer!
Elisabete Jacinto


A Mauritânia impressiona-me pela sua natureza, mas constato que tem mudado muito nestes últimos anos. A presença humana é cada vez mais marcante. Para cada um dos lados da estrada que nos leva ao ponto de partida para a especial vêm-se muitas cabanas de madeira, algumas já tombadas pelo vento. Foram construídas recentemente, mas eu diria que grande parte delas foram abandonadas... Ou então não sei para que servem. Há imensos postes de eletricidade cujos cabos elétricos se cruzam em todas as direções, uma concentração de máquinas de construção civil completamente novas, algumas casas dispersas construídas em tijolo e cimento e uma torre de água que alimenta um campo de cultura completamente verde. Cruzámo-nos até com o comboio que habitualmente transporta o minério das minas de Zouerat. Foi a primeira vez que o vi. Lembro-me de ter ficado espantada quando há dois anos atrás entrei numa estrada no meio do nada iluminada com painéis solares. Os militares, que antes andavam de chinelos e pobremente vestidos, agora estão muito bem fardados e as viaturas são praticamente novas. Cruzei-me com uma coluna militar, depois da especial, e espantei-me com o nível do seu equipamento. Eles estão sempre por aí, à volta do acampamento. Mas, não se aproximam de nós.

São realmente boas as expectativas económicas para este país que tanto intimida os concorrentes deste rali. Dou comigo a recordar tantos maus momentos vividos aqui... Foi numa primeira etapa deste país que tive o meu primeiro grande dissabor como piloto de moto. Tentava então fazer a proeza de chegar ao fim do grande rali Dakar em moto. Nesse dia, em que tive de desistir, percebi que a força de vontade é muito importante, mas não é tudo. É preciso mais qualquer coisa e esse mais qualquer coisa é um complemento importante que tem de ser construído por nós. A minha luta para sobreviver num rali gigante e esmagador deu-me a capacidade de estar aqui hoje a conduzir um grande camião e a lutar pela melhor classificação possível.
Por Elisabete Jacinto
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