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Fim de ano sem areia nas botas

O cansaço andou escondido entre o entusiasmo e a adrenalina. Mas, hoje tomou, definitivamente, posse. A especial foi dura! ... Ah se foi!... Mas, nós aguentámo-nos. É uma coisa que fazemos bem. Passámos bem os cerca de 30 km de dunas do Erg Chegaga e, embora um pouco lentos, não tivemos nunca de cavar o que foi muito bom. O resto da especial foi a apanhar pancada das pedras das valas, das lombas...

Agora já estamos no acampamento e hoje é dia de fim de ano. É irónico, mas neste acampamento nunca há rede. Mesmo que queiramos mandar um abraço à família não temos como o fazer.

É tradição comemorar-se a meia-noite... Aqui, também há quem o faça o que cria a situação engraçada de ter várias equipas a comemorar a meia-noite em momentos diferentes segundo a hora do seu país de origem. Os russos são sempre os primeiros. Para nós é fácil, a hora Marroquina é a mesma de Portugal e para mim é evidente: a meia-noite passo-a a dormir e nem dou pelas comemorações. No dia seguinte ouço os comentários de quem acordou devido ao muito barulho provocado pelo champanhe, foguetes, fogo-de-artifício... E fico sempre admirada.

Só há uma coisa que me contraria todos os anos que é o facto de a organização atrasar o jantar para o aproximar um pouco mais do fim de ano. Nesse dia o rancho é melhorado. As tacinhas do champanhe são dispostas sobre a mesa ao lado dos pratos com paté, umas folhas verdes e um pão adocicado bastante bom, mas não dizem de que é feito. Há sempre uns bons bifes grelhados e grandes batatas assadas na brasa com um molho especial. Não temos a tradição de as confecionar desta maneira em Portugal. A sobremesa é sempre uma boa fatia de bolo de chocolate e, no fundo, é esta refeição que marca o fim de ano no acampamento. Tudo o resto decorre segundo as rotinas diárias de cada etapa.

Faço votos de que à meia-noite o camião já esteja pronto e que os mecânicos não tenham que a passar a trabalhar. Da minha parte confesso que vou para a cama contente por passar o fim do ano sem areia dentro das minhas botas novas.
Por Elisabete Jacinto
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