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O meu primeiro dia do ano

A crónica da piloto portuguesa

Há um momento durante a madrugada em que o acampamento fica em silêncio. Gosto de acordar nessa altura e ficar a escutá-lo percebendo que o meu corpo já recuperou o suficiente para aguentar mais uma etapa. Depois começo a ouvir vozes ao longe e eis que soa o primeiro motor de moto. Poucos segundos depois ouve-se um segundo noutro ponto do acampamento e depois um terceiro, um quarto... Faz lembrar um pouco os galos no campo. De repente todos os motores animam e a barulheira torna-se infernal. Percebo que está na hora de me levantar. O dia começa a nascer. Visto-me e saio a correr para ir tomar o pequeno-almoço porque hoje só é servido até às sete e meia da manhã. Como uma pratada de massa com ovo estrelado, iogurte com cereais e uma maçã. Bebo uns golos de chá verde e vou arrumar o saco, fechar a tenda, por água e comida no camião, preparar todo o material... E vamos para a partida uma hora mais cedo. É que o camião de assistência tem 400 km para fazer e temos que os deixar partir. Nós também fazemos 400 km e desta vez saímo-nos bem. Chegamos à meta com os quatro pneus destruídos um deles a perder ar mas fazemos tudo a andar o máximo que o material nos permite e tivemos alguma sorte. Chegámos cedo ao acampamento, em segundo lugar entre os camiões e sétimo da geral. Fantástico. Estamos contentes!

Abro um latinha de salada de atum que como com pão, azeitonas que o Vítor trouxe da sua cultura em Montemor e como umas tangerinas. Depois de abrir a tenda vou a correr tomar um duche mas a água é fria e não consegui lavar o cabelo. Passo pelos médicos para lhes falar de uma dor que senti durante a especial, mas que desapareceu como por milagre. Sento-me para escrever porque, depois da etapa, embora me apeteça esticar e não fazer nenhum, tenho uma serie de responsabilidades que não posso descurar...

Mas, não me consigo concentrar porque sou várias vezes interrompida. Há uma serie de decisões difíceis que têm de ser tomadas a nível de mecânica e eu tenho de participar nelas. O tempo passa a correr.

Ainda tenho de enviar tudo isto por e-mail mas eles parecem não querer sair. Ando pelo acampamento com o Ipad na mão a tentar perceber onde a wi-fi funciona melhor. Desespero.

O sol já desapareceu e começa a arrefecer. Às oito horas já há sopa quente e o jantar é logo a seguir. Depois segue-se o briefing que é longo... Temos de ouvir as duas versões em inglês e em francês. Depois há sempre mais qualquer coisa a ver no camião e se conseguir entrar na tenda para dormir pelas dez ou dez e meia é francamente bom.

E assim se passa o meu primeiro dia de 2016 entre Assa e Remz el Quebir. Feliz ano novo para todos vós.
Por Elisabete Jacinto
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