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No coração do rali

Quando fui ‘destacado’ para o Libya Rally pensei que estava tramado. Um país em guerra, deserdado de alguns dos princípios essenciais da humanidade, era um cenário difícil de imaginar para uma prova de todo-o-terreno. Mas, pouco depois, soube que Marrocos era afinal o palco.

O alívio sentiu-se mas não foi total. Afinal, trata-se de um território noutro continente, com uma cultura distinta, e tendemos a colocá-lo numa realidade distante, bastando para isso alguém de sandálias e turbante na cabeça, a caminhar pela areia.

À medida que nos vamos afastando dos grandes centros e mergulhamos num Marrocos puro ao qual o turismo não chega, apoio-me em quem sabe para tirar dúvidas. Jorge Gil, diretor da equipa de Elisabete Jacinto, visitou Marrocos pela primeira vez há precisamente 30 anos. Garante que muito mudou desde então e diz-me, sem rodeios: "estás mais seguro aqui do que em muitas cidades europeias".

Ainda estou a tentar acreditar no que ouvi e o Jorge atira novamente: "Aqui somos mais livres do que em Portugal". Fala do modo de vida, assente num regime monárquico de mão firme mas que assim controla o seu povo. Relata como, no que entendemos como civilização, o poder segue os nossos passos e nos leva a escolhas que, à primeira vista, pareceriam livres.

É uma opinião de alguém bem conhecedor das duas vivências. Escuto com atenção, enquanto assimilo as placas em árabe na berma, com a tradução em francês por baixo, ou os retratos do rei em cada lugar em que entro. Um mundo diferente, logo aqui abaixo de Faro.
Por Luís Miroto Simões
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