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A caminho dos 8.091 m

Caros leitores, quando lerem estas linhas, estarei prestes a atingir o cume do Annapurna, ou já terei mesmo conquistado a minha última montanha de 8.000 metros. Pode parecer estranho que esteja já na fase final da expedição, apenas uma semana depois da minha chegada ao acampamento base desta montanha que tem 8.091 metros, mas a verdade é que cheguei aqui já aclimatizado - adaptado à altitude -, depois de ter tentado os 7.000 metros do Pumori, o miradouro do Evereste, no leste do Nepal. Assim, e depois de ter dormido duas noites acima dos 6.000 metros, não precisei de andar agora para cima e para baixo a moldar-me fisiologicamente ao ar rarefeito e à altitude, onde há menos de metade do oxigénio respirado ao nível do mar.

Bem preparado, e com a experiência acumulada ao longo dos últimos 17 anos nos Himalaias, aprendi que há oportunidades na vida que não se devem desperdiçar, e muito menos na montanha... e foi o que fiz: subi apenas uma primeira vez dos 4.300 m aos 5.600 m do acampamento 2, onde deixei material e a tenda montada para o ataque ao cume.

Na primeira janela de oportunidade, confiei nas previsões meteorológicas do meu amigo Vítor Baía, e lancei-me este fim-de-semana à conquista da montanha que tem o nome da deusa hindu das colheitas. Para cá chegar acima, ao topo da 10.ª montanha mais alta do Mundo, percebe-se porque é também a mais perigosa das montanhas de 8.000 metros. Além das dificuldades de progressão em altitude - um passo e várias respirações de cada vez -, aqui sobe-se no máximo 200 m por hora. Foi preciso vencer uma moreia rochosa logo acima do acampamento base, atravessar um glaciar traiçoeiro onde há o perigo real de cair numa crévasse (fenda de gelo) para atingir o campo 2, tive de contornar séracs (grandes blocos de gelo), e corri o risco de avalanchas de rocha ou gelo.

Mas cá em cima, aos 7.000 m, de onde dito via rádio esta crónica para o acampamento base, posso-vos dizer que, além da vista fantástica - vejo daqui o Daulaghiri, que foi o meu segundo cume de 8.000 m em 1994 -, sinto que valeram a pena estes últimos 17 anos de conquistas nos Himalaias. Para a semana, ficarão a saber como é/foi chegar ao cume do Annapurna.

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