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À CONQUISTA DOS PICOS DO MUNDO

Caro leitor do Record, sou o alpinista João Garcia e escrevo-lhe desde a cidade de Kathmandu, capital do Nepal, onde acabo de chegar vindo do acampamento base do Annapurna, a décima montanha mais alta do Mundo, com 8.091 metros de altitude. Esta expedição foi a última do meu projeto de escalar as 14 montanhas com mais de 8.000 metros de altitude chamado "João Garcia à conquista dos picos do Mundo com o Millennium bcp".

Agora posso confessar-vos que me encontro muito contente e até um pouco aliviado. Tudo começou há seis semanas quando fui adaptar o organismo até aos 7.000 metros de altitude, no vale do Khumbu, ao pé do monte Evereste. Só depois fomos para o acampamento base do Annapurna na sua vertente norte. Aqui chegados, após uma subida aos 5.600 m do campo 2 e descida novamente ao acampamento base, percebi que estava pronto para avançar rapidamente para o desafio final.

Muitas vezes na vida temos de estar preparados para as oportunidades que nos surgem e foi isso que aconteceu. Surgiu uma oportunidade e não a desperdicei, ao contrário dos meus companheiros de expedição. Havia um grupo de quatro espanhóis que já estava há cinco semanas no Annapurna e que ia tentar subir, aproveitando a primeira janela de bom tempo nesta caprichosa montanha. Eu tinha chegado apenas há três dias...

Mas, mesmo assim, não me deixei intimidar. E assim surgiu a ideia de os acompanhar. Como parti com um dia de atraso, fui obrigado a um esforço violento para me juntar ao grupo hispano-nepalês. Subi sozinho, com uma mochila pesada, 2.200 m de desnível em 12 horas, desde o acampamento base até ao campo 3. Neste percurso a solo tive de "vencer" uma moreia rochosa, atravessar um glaciar cheio de crévasses (fendas de gelo), subir uma vertente de gelo vítreo, até atingir a altitude extrema do campo 3, montado a 7.000 metros.

Quando me viu surgir inesperadamente no sítio onde ia pernoitar, a alpinista espanhola Edurne Pasabán disse pela rádio: "O João surgiu aqui como uma aparição!" Na verdade, nunca acreditaram que conseguiria apanhá-los. No dia seguinte, dia de ataque ao cume, partilhámos todos - eu, os quatro espanhóis e os quatro nepaleses - a difícil tarefa de fazer trilho na neve fofa. Chegámos ao cume já depois das 13 horas (17 de abril). A vista do cume é realmente magnífica, e estranho não ter ficado emocionado... Talvez por saber que esta montanha é muito perigosa, tive de fazer uma descida extremamente cautelosa. Tal como fiz nos últimos cumes de 8.000 metros, não desci diretamente do cume para o acampamento base, mas fui baixando cautelosamente e recolhendo todo o equipamento deixado para a ascensão nos campos de altitude. Cheguei ao acampamento base 48 horas depois da conquista, no tempo recorde de 5 dias, do meu último cume de mais de 8.000 metros. Fui felicitado por todos os meus colegas de expedição, e fiquei emocionado por saber que em Portugal muita gente partilhou a minha alegria, e me enviou mensagens bonitas.

Obrigado a todos os que acompanharam esta expedição e me apoiaram nesta aventura. Se querem saber, quando estou em Portugal desejo estar nos Himalaias... Mas quando estou aqui, e depois de uma expedição cansativa, o que mais desejo é mesmo regressar a casa.

Mais informação na edição impressa de Record deste sábado ou no e-paper

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