Poucas vezes a expressão ‘de outro campeonato’ assentou tão bem na diferença entre duas equipas. O Benfica, de regresso ao principal escalão nacional, foi ao terreno da Agronomia (a jornada foi invertida) sofrer uma pesada derrota, por 96-0, no encontro que inaugurou a época 2017/18. Um ‘fosso’ que se explica pela "diferença de ritmo e intensidade" das duas equipas, conforme assumiu o técnico encarnado.

"A maior parte dos jogadores da nossa equipa são jovens que estão a jogar pela primeira vez a este nível, é natural que sintam a diferença. Tínhamos consciência disso", assumiu José Mendes Silva. "Sobretudo na primeira parte, notou-se as diferenças de pressão. A Agronomia está, claramente, noutro nível", concluiu.

Nada que alarme, para já, os encarnados, ainda à espera de dois reforços e de… subir o nível. "O nosso grande objetivo, neste momento, é estreitar a diferença para as equipas da segunda metade da tabela para, a partir daí, equilibrar esses jogos e começar a disputar esses resultados", apontou o timoneiro das águias.

E o caminho a percorrer… é longo! O Benfica nunca foi capaz de travar as investidas dos agrónomos, muito menos causar qualquer perigo. As águias estão, nitidamente, a aprender e, além de ritmo, precisam de ser mais pragmáticas e não procurar jogar tanto ‘olhos nos olhos’ com rivais da envergadura da Agronomia.

A equipa procurou sempre sair a jogar à mão, nunca optou por chutar aos postes nas poucas oportunidades que teve para o fazer e, dessa forma, acabou com o marcador mais desnivelado do que podia.

Quem não teve contemplações foi a Agronomia, que ao intervalo já vencia por 47-0, muito por culpa da inspiração de António Cortes (três ensaios) e José Rodrigues que, além de dois ensaios, esteve praticamente irrepreensível a atirar aos postes – transformou 13 dos 14 ensaios verde e brancos!

Sem árbitro

O encontro, de resto, ficou marcado pela ausência de árbitro, em função do braço-de-ferro entre os juízes e a federação. Da bancada ‘saltou’ o antigo internacional português Paulo Murinello para apitar um jogo quase sem luz e onde era difícil ver as linhas nas zonas mais escuras do relvado. O râguebi português também ainda tem um longo caminho a percorrer…

Autor: Sérgio Lopes

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