O vento soprava forte por entre os Guardianes de la Pacana, aquela imensas formações rochosas que parece terem sido  plantadas no meio do deserto por uma qualquer mão gigantesca. As rajadas levantavam nuvens de pó e quase nos impediam de andar. O almoço, frugal, transformou-se numa outra aventura: mastigávamos areia...

De manhã, antes de sairmos para o Parque Nacional dos Flamingos, tinhamos ido até ao largo da feira, aqui em San Pedro de Atacama, para nos abastecer de alguma fruta - há ali de tudo, maçãs, bananas, figos de cacto, hortícolas e também folha de coca para mastigar ou fazer chá, o que ajuda a suportar a altitude. Uma garrafa de bom vinho chileno, pão amassado (feito à mão), queijo de cabra, presunto e pronto, estava o almoço preparado. O vento estragou o piquenique.

Mas a viagem fez-se, o parque visitou-se, os flamingos viram-se e o Licancabur, aquele majestoso vulcão, ficou quase ali ao lado. Os salares de Tara, Águas Calientes e Pujsa regalaram-nos imagens belíssimas e as lagoas de águas azuis, a Miscanti e a Miñiqui, convidavam a nelas nos banharmos... Os flamingos, da raça James, uma das três existentes no continente, passeavam tranquilamente, sem se incomodar com a presença humana.

Percorremos uma pequena parte dos mais de 76 mil hectares que formam esta reserva nacional, mas o mais importante estava visto. Regressámos a San Pedro, que à distância, víamos coberta por uma nuvem de pó. Ao jantar optámos por um bife grelhado, de lama! Será que também esta carne tem efeitos carcerígenos?