Regressámos do Chile e estamos tranquilamente em casa – algo que nos horrorosos tempos de hoje nos deixa felizes. No regresso de Santiago, viemos via Charles de Gaulle, via Paris, esta Paris que, hoje, chora os seus mortos. E, com ela, todos nós choramos, impotentes, perante a barbárie. Paris, como Beirute, são capitais do Mundo. São as nossas capitais. Os bárbaros podem liquidar-nos a tiro ou à bomba, mas não nos liquidarão pelo medo.  Por isso, continuaremos a viajar.

Na reta final desta nossa viagem, que – recordemos – começou pela Patagónia, e depois de uma rápida e curta incursão pela Bolívia (onde entrámos e saímos sem qualquer tipo de complicação burocrática) para ver a famosa lagoa Colorada, cuja cor avermelhada de facto é estranhíssima para quem se acostumou às águas azuis esmeralda de outras destas paragens e, segundo os cientistas, se deve a um tipo de micro-organismos que nela predominam e que, tambem ajudam a explicar a     coloração das centenas de flamingos que as povoam, despedimo-nos de San Pedro de Atacama e rumámos a Calama, a cidade mineira. O objetivo desta paragem era visitar a Chuquicamata, a maior mina de cobre do Mundo a céu aberto.

Foi uma visita que valeu a pena, antes do mais pela grandiosidade do empreendimento e por tudo quanto a rodeia, desde a cordilheira que se está elevando ao redor da cidade com os inertes da mina que se vão despejando ano após ano, até à cidade fantasma de Chuquicamata, uma cidade cujos habitantes – mineiros e famílias -  foram obrigados a abandonar, alegadamente, devido aos problemas de saúde que o pó resultante da extração do cobre (o Chile é o maior exportador mundial deste metal, cuja pureza alcança aqui os 99.9%) estava a provocar. Para se ter uma ideia do  que ali é extraído basta dizer que cada «carrinho» carrega à volta das 350 toneladas, consome 30 litros por minuto e leva 40 minutos desde que carrega até ao local onde liberta a carga e usa uns pneus que custam a módica quantia de 40 mil USD e duram, em média, 8 meses! Há pelo menos uns 90 destes monstros a trabalhar diariamente, 24 horas/dia, 365 dias por ano. Façam contas...

Chuquicamata tem uma história e iremos contá-la oportunamente nas páginas da Revista R.

Depois, foi o regresso a casa, antecedido pela assistência a um espetáculo muito interessante, uma mistura de música e canto, com bailado e declamação, concretamente uma Ode aos 100 anos de  Chuquicamata, no teatro municipal de Calama. Por coincidência, a Sonhando.pt tinha-nos mandado via Paris. Esta Paris que, apesar da dor e das lágrimas, não é uma cidade fantasma e nela se continua a viver. Sem medo!