Num deserto árido como é o Atacama, a vida animal existe, mas é rara. Perto dos salares, das lagoas e das zonas onde a concentração de humidade no solo é maior e uma rasteira vegetação cresce aparecem alguns animais. Tivemos sorte e conseguimos fotografar quase todos os que ali sobrevivem.

As Vicunhas, um tipo de camelóide andino, que até a estes, os camelos, se assemelham no andar, são dos mais vulgares mas difíceis de distinguir da paisagem, pois o seu pêlo é uma excelente camuflagem.

É um animal de porte pequeno mas de grande valor, já que a sua lã chega a atingir os 400 USD no mercado negro. É uma lã muito fina, leve mas também muito quente e por isso muito procurada.

Os Guanacos são vicunhas grandes e tais como estas também comestíveis. Mais estes que estas, pois a lã dos guanacos é oca, mais grosseira e por isso de valor pouco interessante.

São da família das chinchilas mas bem maiores e vivem em buracos nas rochas. A Isabel fotografou-as quando apanhavam sol, tranquilamente, quase à beira da estrada. Chamam-se Viscachas e parecem ser animais bem pacíficos, daqueles peludinhos que qualquer miúdo gostaria de ter como animal de estimação.

Um destes não dirija, mas já um Zorro Andino era bicho que não me importava de ter em casa. Houve um que, mais atrevido, se atravessou mesmo à frente do nosso carro e à volta dele andou largos minutos à espera que uma bucha lhe fosse oferecida. Teve azar pois não lhe tocou nada. Temos por princípio que um animal selvagem como esta raposa não deve habituar-se à pedinchisse. E ali até havia vicunhas para caçar.

Passemos às aves, não a todas, mas às mais importantes, deixando de lado os passarinhos. Comecemos pelos flamingos, para os quais existem seis  reservas nacionais. No Chile existem três tipos: os James, os Chilenos e os Andinos. Coexistem todos nas lagoas e, quando em grupo, são de um colorido fantástico. Pena ainda não ser a sua temporada alta e por conseguinte não andarem por aqui em grande número.

A seguir retratam os  um dos "patos" mais engraçados entre os diversos tipos que povoam algumas das lagoas. No cimo da cabeça têm um corno e daqui o seu nome - Tawa Cornuda! Engraçadíssimos, os bichos.

Deixámos propositadamente para o fim o Llama, o mais característico e conhecido animal andino. Há selvagens, mas a maioria são domésticos, mesmo aqueles que vagueiam pelos montes em busca de uma ervinha. Alguns têm fitinhas coloridas presas nas orelhas, o que facilita a sua identificação pelos donos.  São bonitos, elegantes, com um andar fidagal, que poderíamos classificar de pisar ovos sem os partir.  Ah! E são saborosos!

E pronto, chegámos a fim. Esperem... esquecia-me de uns que também vimos - os burros, esse nobre animal como alguém um dia os classificou ou um , como, com graça, o Tinoco nos avisa quando passamos por um deles.