O australiano Nick Kyrgios tem sido, nos últimos tempos, um dos nomes mais falados no mundo do ténis e em grande parte das vezes é pelas piores razões. O australiano admite ter passado por uma fase complicada, referindo mesmo que nos últimos anos tem tentado perceber qual o propósito de tudo o que faz. Um propósito que recentemente encontrou e que provavelmente surpreenderá o mais atento fã de ténis.

"Não são os jogos como os da China contra o Nadal. Não costumo ter problemas de motivação quando jogo nos grandes palcos, mesmo que o resultado final não seja aquele que se viu em Pequim. O problema é o resto... As viagens, o estar longe dos teus entes queridos, as críticas nas redes sociais, as batalhas com a imprensa, as primeiras rondas em courts secundários quando tudo o que queres é estar em Camberra a jogar FIFA com os teus manos. É tudo isso", escreveu o australiano, atual 21.º do ranking ATP, numa crónica no site 'Players Voice'.

"Certamente já repararam que não sou grande coisa a esconder o facto de preferir estar noutro lado na maior parte do tempo. Por isso, por que razão faço isto? Ouves pessoas falar de estarem motivadas pelas suas crianças, por uma causa ou por algo além deles mesmos. É uma inspiração, pura e simplesmente, e dá-lhes foco quando as coisas estão difíceis. Há uma razão por trás de tudo. É uma propósito maior do que recolher um cheque. Nunca o tinha feito e sempre tive inveja de quem o fez... Creio que nos últimos meses encontrei esse meu propósito. Estou a construir algo. E será de loucos", garantiu.

Mas, então, qual é afinal o propósito da jornada de Kyrgios no mundo do ténis e qual é esse projeto louco que aí vem? "Há dois anos tive uma visão: construir um local para as crianças mais desfavorecidas, onde possam confraternizar, estar num espaço em segurança e sentir que são parte da família. Terá courts de ténis, campos de basquetebol, um ginásio e ainda um campo de futebol. Terá ainda espaço para refeições e camas para dormir".

A ideia está na cabeça e o australiano assegura estar já em campo para tratar de tudo. "Quando não estou a jogar, treinar ou viajar, trabalho nisso. Estamos de momento em busca de um sítio em Melbourne e em busca de organizações ou empresários para se associarem a nós. O sonho vai tornar-se realidade. Pela primeira vez sinto que há uma razão para aquilo que faço. O ténis é uma grande vida - somos bem pagos e tudo o resto é muito bom -, mas acabas por ter sentir vazio se apenas o fazes pelo dinheiro."

"Provavelmente já me ouviram dizer algumas vezes que não estou assim muito 'apaixonado' pelo ténis. Mas quando estou a trabalhar com a NK Foundation e no nosso espaço em Melbourne, a minha mente pensa em todas as crianças desfavorecidas que estarei a ajudar. Estou a jogar por eles agora", explicou o tenista, de 22 anos.

Autor: Fábio Lima