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Mesmo sem nunca ter dirigido a Selecção numa partida "a sério", Luiz Felipe Scolari é já o 11º treinador com mais jogos à frente da principal formação nacional (16). E ainda antes da fase final do Europeu começar - devido ao particular com a Lituânia - o brasileiro vai deixar para trás José Maria Pedroto (16 embates) e igualar José Torres (17).
No entanto, mesmo que tudo corra bem no Euro'2004, Scolari continuará longe dos dois homens que mais vezes comandaram a equipa das quinas: António Oliveira (44 jogos) e Juca (40).
Para poder atacar os postos cimeiros, o actual campeão do Mundo terá de permanecer ao leme da Selecção na caminhada para o Mundial de 2006. No entanto, isso não parece estar seguro. Independentemente dos resultados no Campeonato da Europa, a prorrogação do vínculo com a FPF não será fácil, pois outras selecções e clubes estão interessados em contar com os préstimos do brasileiro.
Desde que assumiu o controlo da Selecção, Scolari desvalorizou os desfechos dos particulares. Sempre disse que as vitórias ajudam mais do que as derrotas, é certo, mas nunca pareceu muito preocupado se, no fim dos 90 minutos, o "placard" era cinzento. "A 'cobrança' tem de ser feita no Euro", repetiu vezes sem conta. No entanto, com 16 jogos ao leme da equipa nacional - mesmo sabendo que todos foram particulares - já dá para avaliar o desempenho da Selecção sob a alçada do técnico campeão do Mundo.
E o resultado não é muito famoso. Pode mesmo considerar-se sofrível, pois Portugal só venceu metade dos jogos que realizou sob o comando de Scolari. Nem o facto de 12 dos 16 embates terem sido realizados na condição de visitante parece ter contribuído para que os lusitanos assinassem um trajecto mais consistente.
Mas, pior que os resultados foram determinadas exibições, com a agravante de algumas das últimas (Itália e Suécia) terem sido das mais "tremidas", com uma série de erros graves e invulgares.
Mas, tal como o treinador sempre disse, o estágio final - embora encurtado e com várias ausências pelo meio - pode ajudar a retocar aquilo que os pupilos ainda não assimilaram. Na primeira parte do jogo com o Luxemburgo, mesmo com uma débil oposição, viram-se momentos de bom futebol.
Por outras palavras, tendo em conta a valia dos jogadores e sabendo-se que o Euro é disputado em casa... há que acreditar num bom desempenho. Aliás, segundo o povo, as estreias costumam ser boas quando os ensaios não são famosos. Façamos votos nesse sentido...
GOLOS MARCADOS. Scolari não aparece ainda em plano de destaque nos "rankings" dos treinadores da Selecção. O seu nome figura apenas uma vez no "top 5" das várias categorias, mais concretamente na média de golos marcados.
O registo da equipa nos últimos 16 jogos é de 1,94, uma eficiência interessante somente suplantada por três técnicos: Humberto Coelho (2,33), António Oliveira (2,32) e Manuel da Luz Afonso (2,05).
Curiosamente, aquilo que parece ser um dos "trunfos" da gerência de Scolari - o apetite pela baliza contrária -, dilui-se quando se constata que mais de metade dos golos da sua era (20 em 31, 64%) foram conseguidos em quatro jogos com adversários de qualidade inferior. Esta é uma tendência que tem de acabar.
Números da era Scolari
O total de triunfos (8) é igual aos empates (5) somados às derrotas (3)
O factor casa não parece ter sido relevante: só seis sucessos em 12 embates. E cinco diante de formações de fraca qualidade (Kuwait, Albânia, Cazaquistão, Bolívia e Luxemburgo)
Nenhuma vitória nos sete jogos com finalistas do Euro'2004
Golos sofridos ante todos os opositores que vão jogar o Europeu. Espanha (3), Itália e Suécia (2) marcaram mais do que uma vez, mesmo jogando fora...
Excepção feita ao jogo com os suecos, Portugal não marcou mais do que um golo nos compromissos com os finalistas do Euro. E contra os nórdicos o segundo tento apareceu quase no fim.
Aceitável média de 1,94 golos marcados por jogo, embora 20 dos 31 remates certeiros tenham sido obtidos em quatro fáceis desafios (8 com o Kuwait, 5 com a Albânia, 4 com a Bolívia e 3 com o Luxemburgo). Sobram 11 golos para 12 partidas, o que já dá uma média inferior a 1golo/jogo.
Média preocupante de quase um golo (0,94) sofrido por jogo
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