Luís Feiteira, que se tornou internacional como corredor de 1.500 metros, tendo estado nos Jogos Olímpicos de Atlanta'1996, vai participar em agosto nos seus quartos Mundiais, aos 36 anos. Correu os 1.500 metros em Atenas'1997 e Edmonton'2001 e a maratona em Osaca'2007. Uma curiosa evolução na distância. No ano passado lesionou-se em plena Maratona de Viena, pelo que ficou fora dos Jogos de Pequim. Regressou à maratona no passado domingo, em Praga, conseguindo um novo recorde pessoal - de 2.13.37 em 2007 para 2.11.57 -, mínimo (folgado: 2h 13m) para o Mundial de Berlim.
"Eu ia para menos de 2h 10m mas numa maratona nunca se podem fazer previsões antes da meta, pois os problemas poderão surgir em qualquer altura", conta o atleta que já esteve no Benfica e no Sporting e desde 2004 representa a Conforlimpa. "O corpo estava a responder bem e tinha a noção de que, se corresse com cabeça, poderia conseguir um bom tempo. Por volta dos 25 km apanhei o Fernando Silva, fui com ele até aos 35 e aí aumentei um pouco o ritmo. Mas por volta dos 38 km senti uma ameaça de cãibra no posterior da perna direita (onde me lesionara há um ano, em Viena) e abrandei, à cautela. A uns 1.500 metros da meta tive então outra ameaça mais forte e cheguei mesmo a parar uns segundos, para alongar, recomeçando com cautelas. Não queria arriscar nada, pois o mínimo estava garantido. Na longa reta final de 800 metros ainda tentei sprintar mas senti qualquer coisa e fui nas calmas até à meta."
Depois de um período de recuperação, Luís Feiteira vai começar a preparação para Berlim dentro de três meses, sob a orientação do seu treinador, o antigo maratonista Manuel Matias. "Mas não quero falar sobre o Mundial, agora só quero treinar-me e sem qualquer tipo de pressão", concluiu.