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A importância da nutrição no judoca

• Foto: Pedro Ferreira

Com a conquista da medalha de prata pelo judoca português Jorge Fonseca na categoria de -100 kg do Grande Prémio de Agadir, em Marrocos, pareceu-me mais do que pertinente falar sobre a alimentação dos judocas. Estes, como todos os outros atletas, têm necessidades nutricionais muitos específicas dependendo do tipo de treino, fase do treino e calendarização de competições.

No judo, como em outras modalidades de combate, existem diferentes categorias de peso com o objetivo de equilibrar combates. Contudo, é muito habitual que os atletas tenham necessidade de reduzir significativamente de peso poucos dias antes da competição para conseguirem lutar numa categoria mais leve e os métodos utilizados para diminuir o peso normalmente são os errados: restrição alimentar e hídrica severas, uso de excesso de roupa durante o treino, aumento do volume do treino cardiovascular e até ingestão de diuréticos e laxantes ou indução de vómitos. O mais assustador é que essas práticas, mesmo sendo perigosas em todas as idades, normalmente são iniciadas em idades muito precoces.

Para manter um estado nutricional adequado, o atleta deve consumir uma dieta equilibrada em termos de macronutrientes, ou seja, deve consumir cerca de 60% do total de calorias ingeridas em hidratos de carbono, 15% de proteínas e 25% de gorduras. Os micronutrientes (vitaminas e minerais) também devem ser consumidos de acordo com as recomendações diárias.

Isto vai facilitar que os atletas não tenham grandes oscilações de peso. Devem, contudo, estar atentos ao peso corporal e à composição corporal durante toda a temporada, de modo a que não haja necessidade de haver uma grande redução da quantidade de peso antes das competições. Para isso, o total de calorias ingeridas deve ser muito bem controlado e isso consegue-se quando o atleta é seguido por nutricionistas que, mesmo com as restrições calóricas associadas, conseguem garantir o aporte necessário de macro e micronutrientes.

Em alguns casos é inevitável a necessidade da redução de algum peso corporal para uma determinada competição, mas recomenda-se que não reduza mais do que 2% do peso e que esta redução seja muito gradual (máximo 1kg/semana). Durante o período em que o atleta está a perder peso, a dieta deve garantir um consumo adequado de hidratos de carbono e o consumo de aminoácidos de cadeia ramificada pode evitar a perda de massa magra e auxiliar a perda de gordura.

Se houver um intervalo de tempo significativo de tempo entre a pesagem e o início da competição, o atleta deve consumir apenas hidratos de carbono durante esse período, pois esse procedimento acelera a recuperação do desempenho anaeróbio.

O mais importante é reforçar a ideia de que os atletas devem lutar em categorias que, de facto, se adequem à sua estrutura física, porque muitas vezes o judoca quer manter o seu peso próximo do limite da categoria e isso fará com que tenha uma dieta muito aquém das suas necessidades energéticas. Isso pode levar a uma redução no seu desempenho e a traços de desnutrição.

Caso o atleta mantenha a sua ideia de reduzir o peso a poucos dias da competição, terá de utilizar métodos de perda rápida de peso e estará sujeito a vária consequências como a alteração na concentração de alguns hormonas, o aumento da hormona de crescimento e diminuição da testosterona , a diminuição do fluxo sanguíneo renal e do volume de filtração sanguínea nos rins, o aumento na perda de eletrólitos, uma diminuição do sistema imunitário e degradação do estado de humor e até uma diminuição significativa de diversos parâmetros do desempenho.

Assim, não só a alimentação durante o período de treinos deve ser adequada, mas também no próprio dia da competição deve ser feita uma avaliação nutricional individual para ajustar as necessidades nutricionais do atleta, considerando o desgaste da viagem, o peso no momento, a intensidade dos treinos, o uso de medicamentos caso haja necessidade e as reservas energéticas para a futura competição. Além disto, a alimentação adequada ajuda muito na recuperação do atleta, minimizando o risco de lesões.

Como vem sendo hábito, durante a semana vou dar dicas para cada período específico do atleta.

Até para a semana!

Por Inês Morais
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