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A importância da nutrição no voleibolista

• Foto: Lusa

Muito já se falou ao longo destas semanas sobre os diferentes fatores que influenciam, de forma muito significativa, a performance desportiva dos atletas, tais como os aspetos técnicos, táticos, físicos, fisiológicos e mentais.

Esta semana decidi falar dos voleibolistas que, na sua maioria, se apresentam bem treinados e motivados, mas num desporto em que a margem entre a derrota e a vitória é quase indecifrável, a nutrição destes atletas pode fazer a diferença porque, tal como em outros desportos que fomos vendo ao longo das semanas, é um dos fatores principais no desempenho físico e mental destes atletas.

Escolher a alimentação correta diminui o risco de lesões ou patologia (mantendo a função imunitária), contribui para maior rentabilidade durante o treino, ajuda na manutenção do peso e composição corporal adequada (permitindo preservar massa óssea e muscular), adequa a disponibilidade de substratos energéticos e, por fim mas não menos importante, contribui para uma recuperação mais eficaz – esta é uma questão muito importante tendo em conta o tipo de calendarização competitiva que é cada vez mais exigente.

Tal como em outras modalidades, a alimentação destes atletas deve ser pensada com rigor científico, mas também tendo sempre em vista a sua performance, e nunca esquecendo a sua cultura, gostos pessoais e bem-estar.

Torna-se essencial perceber a fisiologia dos voleibolistas, bem como as suas necessidades energéticas durante o exercício e também adequar as estratégias nutricionais de forma individual para cada atleta.

Um dos principais problemas destes atletas é o desconhecimento sobre os diferentes tipos de alimentos, que associado a pobres capacidades culinárias, criam a mistura explosiva que leva a escolhas erradas no momento das compras, ou na ingestão de alimentos em horários incorretos e, ainda, leva muitas vezes ao uso indevido de suplementos alimentares.

Depois de apresentados estes motivos, não é difícil perceber que o papel do nutricionista no voleibolista vai muito além de os ajudar a perder peso, mas torna-se fundamental a sua presença para estabelecer a ponte entre a ciência, nutrição e alimentação adequada e rendimento destes atletas, com o objetivo final de permitir que estes alcancem, de forma consistente, o tipo de performance de alto nível que se deseja ao longo de toda a época.

O voleibolista apresenta determinadas particularidades na sua alimentação porque têm maiores necessidades energéticas, necessitando de um consumo superior em hidratos de carbono para maximizar reservas de glicogénio muscular. Para além disso, outros fatores de elevada importância são as questões da hidratação e a singularidade dos momentos de ingestão e a composição das refeições nos diferentes momentos.

Ao longo da semana vou falar das diferentes questões que se destacam na alimentação destes atletas de forma mais pormenorizada.

Especificidades do voleibolista

Mas antes disso é necessário perceber quais as especificidades destes atletas no que diz respeito à sua composição corporal porque esta depende muito das características de cada um, assim como da posição que ocupa em campo.

No que diz respeito à vertente mecânica, uma elevada quantidade de tecido adiposo relaciona-se negativamente com qualquer desporto que exija projeção ou movimentos no espaço, isto porque este representa um peso morto que se carrega a cada movimento. Para um voleibolista, uma elevada quantidade de gordura corporal representa menor capacidade de impulsão e menor agilidade que o impede de ter o melhor rendimento na posição em que se encontra.

Pode manipular-se a composição corporal destes atletas fazendo adaptações de treino e alimentação dependendo dos objetivos que podem ser: aumento de massa muscular ou perda de massa gorda.

Se o objetivo é aumento de massa muscular, deve combinar-se um treino de força com uma alimentação adequada. Isto deve ser feito na pré-época ou períodos de paragem competitiva porque é aqui que se verifica não só uma redução no volume total de treino, mas também uma redução das necessidades energéticas, o que facilita a criação de um aumento de energia disponível para a criação de tecido muscular. As recomendações de ingestão proteica rondam os 1,5 a 1,7g/ kg de peso corporal por dia. Uma ingestão proteica deste tipo é importante para que haja anabolismo e hipertrofia muscular.

Caso o atleta queira perder gordura corporal, deve ser criado um défice energético, diminuindo a quantidade de energia ingerida para que seja inferior ao gasto calórico. A implementação deste tipo de restrições não deve ser abrupta, o défice de energia deve ser moderado e sustentado de modo a permitir uma perda de peso gradual, sem prejuízo da performance desportiva.

As consequências de uma perda de peso rápida e exagerada podem ser distúrbios hormonais, metabólicos e imunitários.

Fazer uma alimentação com baixo teor de gordura (15 a 25%) permite ao voleibolista reduzir a ingestão energética sem comprometer a ingestão nutricional. Para além disso, um regime alimentar deste tipo permite ao atleta manter um consumo de quantidades satisfatórias de alimento, pelo que há menor risco de aumento do apetite e mais facilidade no cumprimento do plano alimentar a longo prazo. Assim as escolhas alimentares devem ir no sentido da manutenção de uma ingestão adequada em calorias e nutrientes e evitar a sensação de fome, optando por um regime alimentar moderado em gordura, particularmente em gorduras saturadas, e alimentos de baixa densidade energética, alta densidade nutricional e alta capacidade de saciedade.

Até para a semana!

Fonte: Hawley JA, Tipton KD, Millard-Stafford ML. Promoting training adaptations through nutritional interventions. J Sports Sci. 2006; 24(7):709-21;

American College of Sports Medicine, American Dietetic Association and Dietitians of Canada: Nutrition and Athletic performance. Official Journal of the American College of Sports Medicine 2000:2130-45;

Andersen LL, Tufekovic G, Zebis MK, Crameri RM, Verlaan G, Kjaer M, et al. The effect of resistance training combined with timed ingestion of protein on muscle fiber size and muscle strength. Metabolism. 2005; 54(2):151-6

Por Inês Morais
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