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Doping: atualidade e efeitos secundários

• Foto: EPA

Não é dos dias de hoje que o doping é um dos problemas mais sérios e preocupantes no desporto, não só pelo facto de influenciar a "verdade desportiva", mas também porque, apesar de potenciar o rendimento, o consumo destas substâncias é, na sua maioria, extremamente perigoso para os atletas, colocando em risco a sua saúde.

O doping é um problema que não pode ser tratado de forma moralista porque, apesar do que se pensa, é algo que faz parte da nossa vida, do nosso quotidiano e da nossa inconsciência natural. Assim, a dopagem acaba por representar um flagelo que coloca em causa tudo o que o desporto representa no que diz respeito às virtudes, valores, princípios e regras que devem ser respeitados e preservados.

Os primeiros casos mais importantes já datam de 1960, sendo que desde 1964 existe uma definição de doping que foi sendo atualizada até ser adotada em Portugal - a definição oficial que ficaria até aos dias de hoje. Considera-se que "por dopagem entende-se a administração aos praticantes desportivos e uso por estes de classes farmacológicas de substâncias ou métodos constantes das listas aprovadas pelas organizações desportivas nacionais ou internacionais competentes" (Secretaria de Estado do Desporto, 1999).

Atualmente, o controlo antidoping é realizado tendo por referência as listas de substâncias considerada proibidas e ainda de métodos considerados ilícitos, isto é, que são considerados como doping. Estas listas vão sendo atualizadas devido ao aparecimento de novas substâncias e métodos de doping, que podem variar nas diferentes modalidades, ou evoluir temporalmente dento da mesma modalidade.

O que leva um atleta a dopar-se

Uma questão que se torna importante debater é a influência dos vários fatores que levam os atletas a utilizar as substâncias dopantes. O consumo de drogas tem diferentes significados para as diferentes pessoas. Enquanto que alguns atletas consomem drogas com o objetivo de melhorarem a sua prestação, outros recorrem a drogas recreacionais que, apesar de muitas vezes permitirem que se alcance um estado psicológico agradável, acabam por prejudicar a sua prestação.

Contudo, os autores apontam algumas razões principais para o uso de substâncias dopantes por parte dos atletas, das quais distingo as que considero ser das mais importantes:

• a pressão dos órgãos de comunicação social;

• porque consideram que o uso de doping é necessário para serem bem-sucedidos;

• as expectativas do público no que diz respeito à competitividade nacional;

• a sobrevalorização do resultado e pressão por parte do treinador;

• meio de recuperação mais rápida quando as provas são extremamente exigentes.

A verdade é que, apesar de se verificar a preocupação da necessidade de adoção de hábitos de vida saudáveis, isso não se verifica em tudo o que diz respeito ao doping.

Atualmente, o treino e o desempenho são, na maioria das vezes, influenciados pelo constante uso de recursos ergogénicos, mas também ao uso de produtos referentes ao doping, porque a realidade é que a competitividade extrema, a procura de melhores resultados e a melhoria no rendimento são comportamentos padrão dos atletas. O problema é que, com a tentativas de grandes melhorias de performance e do rápido aumento massa e da força, muitos deles acabam por usar doses elevadas, algumas vezes com exagero. A dopagem acontece com grande frequência naqueles com preocupação voltada para a melhoria dos resultados no desporto. Porém, estas substâncias ilícitas são proibidas não apenas por proporcionar vantagens ao atleta, mas também pelos riscos que podem causar a saúde de um indivíduo.

Por exemplo, o uso de anfetaminas e outros estimulantes do Sistema Nervoso Central podem provocar a aumento da pressão arterial, de frequência cardíaca, diminuir a sensação de medo e acelerar o metabolismo das células. Doses pequenas já produzem esses efeitos depois de 30 minutos. Os efeitos colaterais incluem tonturas, dores de cabeça, insónia, mal-estar, cansaço fácil e, principalmente, a dependência da droga, que quase sempre evolui para drogas mais potentes e mais perigosas.

Ao longo da semana vou explicar-vos algumas das principais substâncias mais usadas para o doping, assim como os efeitos esperados e os efeitos adversos.

Ainda muito há para descobrir sobre todas estas questões do doping, mas o que os autores enfatizam é que o conhecimento atual sobre os efeitos colaterais das substâncias utilizadas em doping ainda é apenas a ponta de um iceberg e que a passagem do tempo trará mais dados relevantes. A informação adequada para atletas e desportistas é considerada pelos autores como uma ação importante na prevenção de efeitos colaterais de drogas em pessoas saudáveis e praticantes de exercícios.

Até para a semana!

Fonte: "Doping no desporto: um problema de caráter nutricional"; "Doping nos esportes - efeitos, perigos e mitos"

Por Inês Morais
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