Pagam os justos pelos pecadores
De amigável, o Benfica-Flamengo, de sábado, no Algarve, só teve o nome. Aos 20 minutos, Emerson Royal atropelou Jaden Umeh. O irlandês de 18 anos ainda aguentou até à pausa de hidratação, mas saiu a coxear - lesão muscular grave, três meses de paragem, no mínimo. Emerson Royal acabou o jogo sem ver um único cartão. Entrou Prestianni e começou a caça: insultos das bancadas, provocações e entradas sucessivas, como a de Pulgar aos 39', que pôs os bancos em confronto. Wallace Yan, depois de marcar, ainda foi dançar 'à Vinícius' para cima do argentino, que respondeu como devia - com frieza e futebol, até o poste lhe negar o empate no último minuto. Catorze faltas do Flamengo, quatro amarelos, vermelhos nenhuns. Samuel Lino nem disfarçou: "Já entrámos com jogo duro e é assim que é o Flamengo." Perdemos (1-2), mas o resultado foi o menos. Compreendo a leniência própria dos jogos de preparação - ninguém quer expulsões em julho. Mas leniência com violência não é gestão de jogo, é cumplicidade. Fábio Veríssimo pactuou com tudo e, nisso, foi fiel ao padrão da arbitragem portuguesa: o critério evapora-se exatamente quando é preciso coragem. Vezes sem conta, vezes sem fim.