Saída de campo

António Magalhães

António Magalhães

Diretor
António Magalhães

Somos como um só

Durante hora e meia muitos portugueses procuraram alhear-se da tragédia que se abateu sobre o país. A 5.400 quilómetros de distância, a Seleção estreou-se na Taça das Confederações e, por breves segundos, não nos proporcionou a pequena alegria de uma vitória. Portugal esteve por duas vezes em vantagem no marcador mas foi incapaz de guardar o tesouro. Agora, ficamos perante um quadro em que se torna obrigatório ganhar à Rússia – e depois à Nova Zelândia - para não corrermos o risco de anfitriões e mexicanos partirem para a última jornada com o privilégio de poderem fazer a gestão dos acontecimentos mais adequada aos seus interesses.

Seria, porém, uma alegria efémera. Não duraria, seguramente, mais do que uns curtos instantes pela simples razão de não ser possível, nestas últimas horas, ter outro sentimento que não seja de tristeza, dor, angústia, sofrimento. O empate de Portugal com o México foi o resultado de um jogo. Apenas um jogo. A irracionalidade com que tantas vezes desculpamos certas idiossincrasias do nosso futebol não pode levar-nos para a dimensão da ficção e do irreal. Neste momento, é impossível não dedicar os nossos pensamentos e sentimentos a todos as vítimas (e não só) da tragédia de Pedrógão. Como disse o presidente da República, "somos como um só".

19.06.2017
M M