Saída de campo

António Magalhães

António Magalhães

Diretor
António Magalhães

Um adeus doloroso

Bolt fez a sua última prova e despediu-se de vez dos estádios. Vamos ter saudades, claro. Muitas. Foi um gigante, tornou-se um deus, uma lenda. Mas Bolt não foi apenas resultados, medalhas, recordes. Foi muito mais do que isso. Foi um espectáculo. Vibrante, apaixonante, arrebatador, divertido. É, por isso, um mito.

A última imagem de Bolt não é o sorriso rasgado ou a coreografia do relâmpago. É um esgar de dor e um semblante de desilusão. Nos derradeiros cem metros que tinha pela frente, ele chegou a dar a sensação de que ia voar para a linha da meta e, super como é, até alcançaria o ouro. Mas não. Não que fosse impossível, mas porque acabou traído pelo tremendo esforço. Bolt caiu e ficou prostrado na pista numa imagem impensável que ninguém gostaria de ter visto. Muito menos ele.

Foi essa imagem que começou a correr o mundo em menos tempo do que Bolt sempre demorou a fazer os 100 metros. Não é essa, porém, a imagem que fica de uma carreira impressionante. O destino reservou-lhe um final dramático. Dizem os especialistas que Bolt arriscou adeus sem brilho porque já deveria ter-se retirado das pistas antes dos Mundiais. Não importa. Tivemos o privilégio de ver Bolt por mais algum tempo. Valeu a pena. E, depois, as despedidas são sempre dolorosas, não são?

12.08.2017
M M