Visão de jogo

António Oliveira

António Oliveira

António Oliveira

Abrir caminho para a Rússia

Naquele que foi o primeiro jogo oficial após a conquista do Euro'2016, Portugal não iniciou da melhor forma a campanha de apuramento para o Mundial'2018. Uma derrota por 0-2 na Suíça, num grupo relativamente fácil, fez com que a Seleção Nacional tivesse de correr atrás do prejuízo desde o início, sem margem para erros, no sentido de tentar chegar ao 1.º lugar. A verdade é que o percurso dos suíços tem sido imaculado (8 vitórias em 8 jogos), tal como o português (7 vitórias consecutivas), situação que deixa todas as decisões da liderança e possível conquista de um bilhete direto com destino à Rússia para esta jornada dupla final que agora se aproxima.

Mas antes de termos a possibilidade de disputar a 'final' decisiva com os suíços em casa, há que vencer amanhã a partida com Andorra, seleção que a jogar no seu reduto conseguiu vencer a Hungria, empatar com as Ilhas Faroé e perder apenas pela margem mínima com Letónia e Suíça. Ou seja, uma equipa que complicou a vida a todos os adversários quando esteve no papel de anfitriã. Trata-se de uma seleção aguerrida e com espírito de sacrifício, que, em função do seu menor talento técnico, procura, na força do coletivo, fechar os caminhos da baliza e tentar surpreender no contragolpe.

O facto de esta partida ter de ser disputada num relvado sintético é também uma dificuldade adicional para os portugueses. Os nossos jogadores não estão habituados a atuar neste tipo de piso, algo que pode influenciar a forma de jogar da nossa equipa. Deste modo, Portugal terá de alinhar de forma precavida, no sentido de conseguir implementar o seu futebol e, simultaneamente, evitar que surjam lesões (frequentes em atletas que não atuam regularmente neste tipo de relvados) que se tornem impeditivas de marcar presença no jogo que vem a seguir.

Mas mais do que outra coisa, interessa ganhar. Só com os três pontos no bolso é que poderemos fazer do Portugal-Suíça a tão esperada final de que se fala, capaz de nos permitir chegar ao topo da classificação do Grupo B e garantir vaga no próximo Campeonato do Mundo. Se for possível trazer a vitória de Andorra e evitar eventuais castigos e/ou lesões dos nossos atletas, ainda melhor.

A Suíça é uma daquelas equipas que quase parece um relógio... suíço, passe a redundância. Equipa organizada em todos os sectores, com bons talentos individuais, mostrou ser capaz de gerir os momentos dos jogos em seu favor, chegando a esta fase com um registo invicto. Uma seleção que tem sido eficiente e eficaz está assim na luta pelo apuramento direto com todo o mérito. É de salientar que esta formação já não perde um jogo oficial há mais de dois anos, marca esclarecedora em relação à qualidade que iremos ter pela frente. Porém, antes de visitar o nosso país, a equipa helvética recebe a Hungria, um jogo que será complicado e que também pode influenciar as contas.

Não tenho dúvidas de que Portugal é a equipa mais forte do grupo. O próprio selecionador Fernando Santos já mostrou essa convicção e a confiança de que será capaz de vencer os dois jogos que faltam. Os números comprovam o favoritismo: temos o ataque mais concretizador e uma diferença entre golos marcados e sofridos superior, o que nos dá vantagem no confronto direto em caso de igualdade pontual com os suíços. Mas para poder chegar a essa situação privilegiada, há que superar esse obstáculo chamado Suíça, e só um jogo competente, sem falhas, é que nos permitirá atingir o principal objetivo. Estamos a 180 minutos de cumprir essa missão.

O CRAQUE
Confirmar o potencial

Após uma ligação ao Sporting com mais de uma década, Ricardo Esgaio chegou esta época a Braga à procura de mais oportunidades para jogar. E pode dizer-se que as coisas têm corrido bem a este lateral que também pode atuar como extremo, afirmando-se assim como uma solução versátil no lado direito para o treinador Abel Ferreira. Com bons recursos técnicos, rápido e forte nos cruzamentos, as primeiras impressões são esclarecedoras: é o jogador com mais assistências na Liga (5) e conta já um golo marcado na prova. No Minho, o jogador encontrou o espaço ideal para evoluir.

A JOGADA
Clássico bem disputado

Embora tenha terminado com um empate sem golos, o clássico do último domingo entre Sporting e FC Porto foi muito bem disputado. Um interessante duelo tático entre dois treinadores que se conhecem bem e um espetáculo dentro e fora do campo, com oportunidades de golo, emoção nas bancadas e um ambiente cordial entre todos. O FC Porto esteve melhor, mas o Sporting cresceu no segundo tempo e equilibrou. Fica a sensação que a partida poderia ser ainda mais intensa se as equipas não acusassem o desgaste físico na parte final. E a ideia que leões e dragões ainda podem render mais no futuro.

A DÚVIDA
Jogos fora do sítio

A magia da Taça de Portugal sempre passou por vermos as principais equipas do nosso futebol a atuarem contra formações que raramente têm oportunidade de jogar contra as estrelas do campeonato. Embates entre David e Golias que, por vezes, geram enormes surpresas. Por serem considerados jogos de alto risco, os regulamentos impedem que os grandes possam jogar em estádios que não tenham condições de segurança para os receber. Assim, o Lusitano de Évora-FC Porto será jogado em Lisboa e os adeptos do emblema eborense não vão assistir ao jogo na sua cidade. Fará isto sentido?

05.10.2017
M M