Visão de jogo

António Oliveira

António Oliveira

António Oliveira

Planear o futuro

Estamos a cerca de um mês do regresso das equipas aos trabalhos de preparação da nova temporada e o mercado de transferências deste verão já dá sinais de alguma agitação. Os clubes portugueses não são exceção neste ritmo de entradas e saídas. Além da escolha de novos treinadores em alguns casos, está em marcha o trabalho de planeamento dos plantéis para atacar a próxima época e, pelo que se tem visto nos últimos anos, esta etapa pode ter um peso importante na performance das equipas ao longo do ano.

A construção de um plantel equilibrado, com opções fiáveis para todas as posições, é sempre o objetivo primordial. Para os treinadores é fundamental terem um grupo capaz de dar resposta a um calendário exigente, com muitos jogos e várias provas. A máxima de dois jogadores por função costuma ser o ponto de partida. Mas, acima de tudo, o grande requisito é a qualidade, para que a equipa não se ressinta consoante as alterações que vão sendo feitas.

Para os dirigentes existe a necessidade de conseguirem receitas extraordinárias com a venda de jogadores e, em simultâneo, encontrarem novos ativos para o grupo que está a ser composto. Ao mesmo tempo, surge a necessidade de tentar não enfraquecer a equipa e garantir que as entradas serão capazes de garantir o mesmo rendimento (ou até mais) dos elementos que partirem.

Neste aspeto, além de uma atuação rápida e certeira no mercado, há também que esperar pelo melhor momento para se efetuarem determinados negócios. Previamente, o trabalho de observação, no sentido de fazer detetar jogadores com potencial de rentabilização desportiva e financeira, é essencial para que se consiga incrementar o nível competitivo de uma equipa. E há ainda que contar com o aproveitamento de recursos existentes que, como vimos esta época no FC Porto, também pode ser decisivo.

Pelos lados do Dragão podemos constatar que as principais preocupações, de momento, estão na defesa. As saídas de quatro elementos do elenco da época passada (Ricardo Pereira, Diogo Dalot, Ivan Marcano e Diego Reyes) obrigam os dragões a terem de encontrar substitutos, pelo que é previsível que cheguem – ou regressem de empréstimo – dois laterais e dois defesas-centrais (o brasileiro João Pedro parece ser a primeira contratação).

Apostado em não cometer os mesmos erros do passado, o Benfica já colmatou as lacunas que o seu plantel pareceu evidenciar ao longo da última temporada e que acabaram por determinar um enfraquecimento da equipa de Rui Vitória. As águias garantiram um novo guarda-redes (Vlachodimos), um lateral-direito (Ebuehi), um defesa-central (Germán Conti) e dois avançados (Facundo Ferreyra e Nicolás Castillo). Para já, os encarnados parecem ter mais opções defensivas e juntam ainda mais poder de fogo ao ataque, e além do matador Jonas passam a ter dois novos avançados, que juntos apontaram 48 golos esta temporada que findou.

No Sporting, há ainda muitas incógnitas pela frente. Confirmada a saída de Jorge Jesus do comando técnico da equipa, terá de encontrar um novo timoneiro. Além disso, será necessário perceber com que jogadores irá o futuro treinador contar. Muitos atletas pretendem mudar de ares e isso pode obrigar os leões a uma reformulação profunda do seu plantel. O lateral Bruno Gaspar, assim como o central Marcelo e o extremo Raphinha, são apostas confirmadas. E os regressos de nomes como Matheus Pereira, Carlos Mané ou Francisco Geraldes podem ser uma realidade.

Com o Mundial à porta, os clubes não vão parar. Há que garantir as melhores armas para o próximo ano.

O momento de Cristiano

Depois de conquistar a sua 5.ª Liga dos Campeões na carreira, enriquecendo ainda mais o seu recheado palmarés, Cristiano Ronaldo está a prestes a participar no Mundial pela 4.ª vez. Para a nossa Seleção, o capitão será uma peça fundamental nas aspirações de chegar o mais longe possível. É um elemento que pode catapultar a equipa para um patamar mais alto. E a nível pessoal, numa altura em que se fala na saída do Real Madrid, é um momento de afirmação e uma oportunidade para mostrar que as qualidades estão intactas e tem ainda muito para dar.

Desafio para Marco Silva

Marco Silva tem um novo desafio na Premier League. Depois de ter treinado equipas que aspiravam apenas à manutenção naquele país, o Hull City e o Watford, segue-se agora um histórico do futebol inglês, o Everton. Com mais argumentos financeiros para lutar por um lugar na primeira metade da tabela e, quem sabe, conquistar uma vaga nas competições europeias do ano seguinte, o técnico português tem agora a missão de tentar fazer melhor do que o 8.º lugar alcançado pelo clube esta temporada. Aos 40 anos, a cotação do treinador está em alta.

O estado do leão

Num clube que ao longo da época mostrou ser competitivo e ter uma equipa capaz de jogar ‘olho no olho’ com grandes nomes como Barcelona, Juventus ou Atlético Madrid, toda a instabilidade que surgiu ao longo dos últimos meses no reino do leão assume contornos difíceis de decifrar por completo. O Sporting vive um momento conturbado e as soluções parecem não estar à vista. Jogadores rescindem, dirigentes demitem-se, a contestação aumenta, mas Bruno de Carvalho pretende continuar. No meio disto tudo, a nível desportivo, conseguirá a próxima época ser preparada nas melhores condições?

08.06.2018