Visão de jogo

António Oliveira

António Oliveira

António Oliveira

Uma nova competição

Pelo que se tem lido nas últimas semanas, a Federação Portuguesa de Futebol está a estudar a possibilidade de criar um campeonato de sub-23. Uma liga jovem, destinada a jogadores que estão a dar os primeiros passos na categoria sénior, que assim teriam mais espaço para evoluir. Trata-se de uma ideia interessante que merece a devida análise. Porém, importa que este projeto não coloque em causa o impacto positivo que teve para o futebol português a colocação das equipas B na 2.ª Liga.

Num ambiente competitivo e a jogar contra formações mais experientes, as equipas B têm sido um espaço privilegiado para os clubes trabalharem os seus jovens jogadores de maior potencial e darem-lhes rodagem na sua fase final de formação. Além disso, e de forma complementar, os resultados refletem-se também no trabalho das seleções jovens, com os nossos jogadores a mostrarem maior maturidade do que adversários da mesma idade e a conseguirem evoluir mais rapidamente.

O modelo português tem sido alvo de análise por parte de especialistas internacionais na área do futebol de formação, sendo que é realçada a importância dos jovens atletas poderem competir a um nível mais alto do que se o fizessem num mero campeonato de reservas, como acontece, por exemplo, em Inglaterra. Além disso, esta tem sido uma interessante base de recrutamento para os clubes portugueses, com muitos jogadores a serem aproveitados e valorizados pelos clubes formadores, e outros a chegarem à 1.ª Liga subindo mais uma etapa, depois de se revelarem nas equipas B.

Mas os clubes da 2.ª Liga parecem não estar muito de acordo com a presença das equipas secundárias e pedem mesmo a sua redução e um aumento das taxas de inscrição. Se é verdade que estes emblemas desempenham um papel importante no desenvolvimento dos atletas, também é um facto que a presença das equipas secundárias dos 3 grandes na prova, aumentou o interesse de uma larga franja de adeptos na competição e isso ajudou a valorizar todos os participantes. Que haja bom senso.

Mas voltemos à possível Liga Jovem. Como o atual protocolo apenas permite um máximo de 6 equipas B na 2.ª Liga, este projeto abre a porta a que mais equipas possam apostar em equipas secundárias e rentabilizar os seus escalões de formação, dando igualmente mais espaço de utilização ao jovem jogador português, que nem sempre tem as devidas oportunidades no início da carreira e acaba mesmo, em muitos casos, por abandonar a profissão.

A ideia precisa de ser amadurecida, do ponto de vista desportivo e financeiro. Para os clubes que atualmente não têm formação secundária constituiria a possibilidade de ganharem um novo espaço competitivo para os jovens da sua formação na transição de júnior para sénior, que por vezes são forçados a atuar em campeonatos inferiores que não lhes permitem queimar etapas e dar o salto competitivo para o patamar que os emblemas necessitam. Porém, terão os clubes capacidade de comportar os custos inerentes a mais uma equipa? Está aqui uma dúvida importante a considerar. Poderá a Liga Jovem coexistir com a presença de equipas B na 2.ª Liga? Era o cenário ideal, mas talvez difícil de concretizar.

O potencial avanço deste campeonato sub-23 vai depender, em boa parte, da recetividade dos clubes e do consenso entre várias entidades. Há muitos desafios pela frente, vantagens e desvantagens a considerar e decisões para tomar. O atual modelo das equipas B foi, na sua generalidade, muito bem sucedido. Travar o que tem sido bem feito, seria visto como um retrocesso. Há que perceber como pode ser dado um passo em frente.

O Craque – Excelente momento
Em permanente sobe e desce no corredor direito dos dragões, Ricardo Pereira apresenta-se num excelente momento de forma. O internacional português tem sido um dos portistas em melhor plano nos últimos jogos. Mais confiante a apoiar o ataque pela faixa, e por vezes com rápidos movimentos interiores, tem causado desequilíbrios nas defesas contrárias. Sem comprometer nas missões defensivas, dá consistência à equipa e uma entrega total na disputa dos lances. Embora a concorrência seja forte na Seleção (Cédric, Nélson Semedo, João Cancelo), Fernando Santos tem aqui mais uma opção.

A Jogada – Finalmente um golo
Foram precisos 240 minutos para que surgisse o primeiro golo nos jogos entre FC Porto e Sporting. Têm sido duelos muito ricos em termos táticos, com muita disputa e uma tentativa de anular ao máximo o espaço do adversário. O FC Porto leva a vantagem de um golo para a 2.ª mão das meias-finais da Taça de Portugal e as coisas estão longe de terem ficado decididas. Já o Sporting, que apresentou uma postura mais conservadora no Dragão, terá dentro de 2 meses (faz sentido esta distância temporal?), a jogar em casa, uma palavra ainda a dizer nesta eliminatória.

A Dúvida – Os erros do Conselho de Disciplina
O presidente do Conselho de Disciplina (CD) da FPF assumiu que o organismo cometeu um erro ao não castigar Fábio Coentrão por este ter danificado o banco de suplentes na partida da liga entre V. Setúbal e Sporting, ação que vinha mencionada no relatório do delegado da Liga. Dias mais tarde, num caso idêntico, em Moreira de Cónegos, Sérgio Conceição acabou multado em 804 euros. Verificou-se uma situação de dois pesos e duas medidas. Noutro caso, o Tribunal Arbitral do Desporto ilibou o presidente do Sporting da suspensão de três meses que lhe havia sido imposta pelo CD. Não serão erros a mais?

08.02.2018
M M