Saída de campo

Bernardo Ribeiro

Bernardo Ribeiro

Diretor adjunto
Bernardo Ribeiro

A decisão esperada

O Conselho de Disciplina tomou a decisão esperada no caso Eliseu. Era abrir a caixa de Pandora alterar a decisão do árbitro, Rui Costa, e do VAR, Vasco Santos. Não que esteja de acordo com ela ou os seus fundamentos. Considero que a violência deve ser punida sem olhar a camisolas. Venha de Eliseu, Battaglia ou Brahimi. Escuda-se o órgão nas respostas dos árbitros sobre o que viram em campo. Mas não as sabíamos já? Se pensassem outra coisa não teriam agido? De que serve perguntar o que viram? Não seria mais interessante perguntar-lhes o que pensam hoje?

No fundo, o CD tomou a decisão conveniente para que o futuro não seja uma soma de queixas a cada de jornada. Ao mesmo tempo lava as mãos como Pilatos em relação aos autos de flagrante delito. Com o VAR como pode um árbitro dizer que não viu? Qualquer decisão futura diferente vai cheirar a perseguição. Isto é premiar a violência. Algo que os árbitros já estão a fazer em campo. Agora é legitimada pelos gabinetes.

Lê-se na decisão: "Com os fundamentos expostos, o Conselho de Disciplina considera inexistirem indícios claros da prática de infração disciplinar, pelo que decide arquivar o auto." Era tão mais fácil se fossemos todos cegos, surdos e mudos.

Há muitas questões que não cabem neste espaço. A que mais me intriga: como é que Vasco Santos não viu que era conduta violenta?

29.08.2017
M M