Entrada em campo

Bernardo Ribeiro

Bernardo Ribeiro

Diretor adjunto
Bernardo Ribeiro

E eis que voltou o clima de guerra

O futebol português tem piada. Muita até, se estivermos com espírito. Todos pedem a pacificação, defendem ideais altivos e são sinónimo de transparência. Ao final do dia, quando os resultados não sorriem como desejado, alto e pára o baile, vai tudo mal no reino da Dinamarca. Costuma acabar com um chamem a polícia. O fim de semana de nervos que se viveu e a aproximação do clássico da Luz vai deixar a Liga à beira de um ataque de nervos. Já todos vimos o filme e escusamos de perder o sono. Benfica, FC Porto e Sporting, estes sem poder já lutar pela conquista do título mais desejado, vão alimentar muitas novelas dos próximos dias. Também nós, jornais, não estamos isentos de culpas. A boa vontade que defendemos em alguns momentos acaba engolida na voragem dos dias.

O antijogo do Vitória de Setúbal no Dragão foi um dos temas centrais da comunicação portista pós-empate. Percebo a mágoa. E a irritação, diga-se. É doloroso, de facto, ver lesões atrás de lesões fingidas a travar o ritmo do jogo. Mas a verdade é que os sadinos estão longe de ser os únicos a recorrerem ao expediente. Esta época tanto FC Porto, como Benfica e Sporting já se queixaram da maleita. Mas a verdade é que também já recorreram a ela. O antijogo está longe de ser arma apenas de uma equipa. Num momento ou outro todos acabam por ‘pecar’. Cabe à Liga e aos árbitros lutar contra o flagelo. Afinal, é dos que mais irrita os adeptos por esses campos fora.

Curiosamente, o árbitro do FC Porto-V. Setúbal até tentou combater a manha. Cinco minutos na 1.ª parte e sete na 2.ª são boa-fé de quem não pode resolver os males do futebol português num só jogo. Provavelmente, teve mais influência no resultado ao não ver um único penálti. Mas também se crucifica o juiz e nada se faz a quem finge quedas teatrais. Temos o que merecemos?

21.03.2017
M M