Análise ao FC Porto-Sporting

Bernardo Ribeiro

Bernardo Ribeiro

Diretor adjunto
Bernardo Ribeiro

Ganhou quem mais quis ganhar

Sérgio Conceição ganhou finalmente um jogo grande e o clássico acabou com a lei dos empates, não só entre dragões e leões, mas também metendo o Benfica à mistura. Mais do que justo. Os portistas foram quem mais quis ganhar, quem montou um plano de jogo virado para seguir em vantagem para Alvalade e se 1-0 não garante um passeio tranquilo à capital, a verdade é que não sofrer é sempre muito importante.

O FC Porto numa solução muito habitual, com Herrera e Sérgio Oliveira no centro do terreno, uma dupla bem interessante após a lesão de Danilo. O 4x4x2 habitual, de cariz visivelmente ofensivo, desta vez com Soares em vez de Aboubakar, o que nem se sentiu. Isto perante um Sporting que reforçou o centro da defesa, com Piccini a ajudar Mathieu e Coates, lançando Ristovski à direita e Coentrão à esquerda, dando também um novo papel a Gelson.

No fundo, um FC Porto à procura de impor o seu jogo e um leão a pensar em como travá-lo. Isso fez com que os dragões andassem mais tempo por cima, o que aconteceu quase sempre, à exceção dos primeiros minutos e da reação leonina pós-golo, quando equilibrou as coisas e podia, de facto, ter chegado ao empate.

Acredito que Conceição tentou resolver a eliminatória no Dragão e Jesus sair vivo e capaz de carimbar a vitória em Alvalade. Duas abordagens possíveis. Não crucifico Jesus pela aposta num sistema diferente. Entendo a vontade de levar o jogo para o plano tático, quando nos confrontos anteriores foi sempre inferior ao FC Porto. Desta vez a coisa até foi equilibrada. Mas o rival voltou a ser melhor e mereceu o triunfo. O Sporting precisa de encontrar a ideia certa para os jogos grandes. Ela ainda não surgiu esta época.

A importância de saber gerir

À medida que a temporada avança, a gestão que os treinadores fazem dos respetivos plantéis vai aumentando de importância. Não só pela questão física, que é obviamente para ter em conta, mas também para fazer de todos importantes nas conquistas que só assim serão verdadeiramente coletivas. O FC Porto parece aqui muito confortável e um grupo muito focado, com tanto ainda por conquistar.

Porquê o medo dos ‘descontos’?

A exibição de João Pinheiro é feita detalhadamente noutra página, mas retenho apenas um facto na exibição do juiz que apitou o clássico: tempo de compensação a menos. Houve uma expulsão aos 90’, com o consequente ‘sururu’ a que a Liga portuguesa raramente foge, mas ainda assim João Pinheiro não foi capaz de alterar o tempo já dado. Não se entende. A única forma de acabar com certas atitudes é combatê-las firmemente. Sem medo.


NOTAS DE RODAPÉ

5 - Sérgio Oliveira é um ‘joker’ de luxo para o treinador do FC Porto. Emerge como um líder após a lesão de Danilo e tem um encaixe fantástico com Herrera. Brilhante com os leões. 

4 - Soares fez um belo jogo contra o Sporting, mas mais do que isso cumpriu o que terá prometido a Conceição: fazer tudo para ajudar a equipa. Prémio para jogador e treinador.

3 - Gelson de regresso ao onze e com uma saúde física que o deixou jogar até final terá sido uma das melhores notícias para os leões. O extremo é importantíssimo no jogo ofensivo.

2 - O italiano Piccini pareceu ‘peixe fora de água’ no sistema que foi montado por Jesus. Pior, fica intimamente ligado ao golo, pois é ele, com Ristovski, quem é batido por Soares.

1 - Acuña comprometeu a reação da equipa quando ela mais estava a precisar dele. O Sporting procurava o empate e perdeu uma peça que, obviamente, fez falta para expulsão.

08.02.2018