O canto do Morais

Carlos Barbosa da Cruz

Carlos Barbosa da Cruz

Advogado
Carlos Barbosa da Cruz

Agora mandamos nós

O que mais me admira é que tenha levado tanto tempo.

O G-15, na sequência das reuniões havidas, resolveu fazer prova de vida na última assembleia geral da Liga.

Não sobre assuntos transcendentes, mas o suficiente para sinalizar que o poder está em vias de mudar de mãos. Até se deram ao luxo de hostilizar o Sporting, para que não restassem dúvidas.

Com efeito, os quinze (ou treze) em causa, já terão percebido que se não forem eles a fazer pela vida, os outros, em particular os três grandes, não são propriamente um modelo de filantropia, quando se trata de repartir.

Penso que o móbil deste levantamento de rancho, será a questão do pagamento dos direitos televisivos, ou mais prosaicamente, do dinheiro; com efeito, mesmo com a lentidão majestática com que a Autoridade de Concorrência está a analisar os contratos do MEO e da NOS com os três grandes, é muito possível que, à semelhança do que ocorreu em Espanha, venha a limitar a respetiva duração a três anos, o que abrirá uma janela de oportunidade em 2021.

Se isso acontecer, quem mandar na Liga, pode ter uma palavra a dizer.

Dá para perceber que este cenário tem todos os ingredientes para abrir um rombo de proporções catastróficas no futebol nacional.

A equação, para mais, é difícil de resolver; por um lado, os três grandes são a força motora e os grandes protagonistas da competição, mas, por outro, não há competição, sem os restantes clubes.

E agravar o fosso entre os três grandes e o resto, que hoje já é importante, leva garantidamente a uma perda de notoriedade e interesse da Liga; Portugal já é dos países, em que se notam mais essas diferenças. Piorar este estado de coisas, é má opção.
Temperar esta receita, exige mão de chef.

A Liga é a gestora de uma indústria que mexe com muito dinheiro e há que ter a clarividência de perceber que assunto desta envergadura, não se resolve nem com sobrancerias, nem com egoísmos, nem com motins, nem com excluídos.

Acho que têm se ser estabelecidas regras claras, que premeiem o desempenho desportivo, as assistências, a notoriedade, mas que contribuam também para um aumento de competitividade, o que só se consegue, dando melhores condições aos emblemas mais carenciados.

O modelo de negociação centralizada de direitos televisivos, nas ligas em que se pratica, tem contribuído para as puxar para cima, em termos de visibilidade e comercialização.

Será assim tão difícil pensar o assunto, a tempo e horas, em Portugal? Maria Antonieta mandou dar croissants ao povo de Paris com fome e acabou no cadafalso...





02.01.2018
M M