O canto do Morais

Carlos Barbosa da Cruz

Carlos Barbosa da Cruz

Advogado
Carlos Barbosa da Cruz

Despacito

Em tempos o Sporting contratou por seis épocas, um jovem avançado montenegrino chamado Purovic, de quem vi videos com golos fantásticos. Achei que estava ali uma pérola.

Haverá muito poucos sportinguistas que se lembrem deste jogador, porque a sua passagem pelo Sporting, era Paulo Bento treinador, foi pura e simplesmente anónima. Golos? Só filmados...

Falhada a aposta do Sporting, o Purovic encetou a via sacra dos empréstimos por diversos clubes, Belenenses incluído, onde nunca vingou.

Indo mais atrás, lembro-me de ter visto jogos do Carlos Miguel no Grémio, verdadeiramente empolgantes; veio para o Sporting e também não deixou saudades.

Isto da contratação de jogadores de futebol é quase como os melões; podem parecer muito bons por fora, mas só quando se prova, é que se sabe.

Em sentido inverso, avulta o caso do Slimani, baratinho, com expectativas não muito altas, e saiu aquele leão, de que os sportinguistas ainda se lembram.

Da Argentina, têm vindo de tudo, grandes jogadores, como o inolvidável Hector Yazalde, o Beto Acosta, o Marcos Rojo, que deixaram desempenhos marcantes. Mas também temos tido a nossa dose de deceções, como foram o caríssimo Kmet, o Hannuch ou o felizmente breve Torsiglieri.

Uma das características próprias do jogador argentino é a sua pugnacidade, ou seja o empenho e combatividade que colocam em campo; recordo o Fito Rinaudo, que não sendo um virtuoso, dava o litro em campo, às vezes com exageros, que lhe valeram a incompreensão permanente dos árbitros.

Na mesma linha coloco o Rodrigo Battaglia, um guerreiro, um sapador do meio-campo, que se tem adaptado, com inteligência, à polivalência funcional, que o treinador dele exige.

No extremo oposto, o Alan Ruiz, afinal o tema desta crónica; o Alan Ruiz tem habilidade que o Battaglia, ou mesmo o Acuña não possuem e faz coisas muito interessantes com o seu notável pé esquerdo.

Só que tal ocorre, muito a espaços, quando a bola vai ter com ele, porque raramente ele vai ter com a bola; encara o jogo com vagares majestáticos e a sua atitude competitiva é, com excessiva frequência, no mínimo, displicente.

E é pena, porque o Alan Ruiz tem todas as condições para singrar e acho que só dependerá dele consegui-lo.

Será que de um Rocinante se consegue fazer um Pepe Legal?



26.09.2017
M M