Carlos Barbosa da Cruz

Carlos Barbosa da Cruz

Advogado
Carlos Barbosa da Cruz

Diz-me onde jogas

Como todos os interessados, gosto de seguir a carreira dos futebolistas portugueses, ou que passaram por Portugal, no estrangeiro.

Eu sei que estas coisas das transferências são assuntos complexos, com facetas muitas vezes desconhecidas do grande público em que, frequentemente, as premências financeiras não permitem a quem vende dar-se ao luxo ser seletivo. Leva quem se chega à frente primeiro.

Há jogadores que viram a sua carreira verdadeiramente empolada, por conseguirem ir jogar num clube de referência (acho que o caso mais patente será o André Gomes, em quem continuo a não vislumbrar méritos para jogar no Barcelona) e outros encalham porque não têm essa sorte (o Rui Costa poderia e deveria ter muito mais títulos, não fora a sua enigmática transferência para o Fiorentina, onde, nos sete anos que lá esteve, nunca foi campeão).

Outras situações são mais enigmáticas; vi, a semana passada, o Leicester jogar contra o Manchester United, onde foi bravo, mas não dá para perceber a razão pela qual o Slimani, nem suplente é.

Vêm estas cogitações a propósito do reiterado interesse do West Ham pelo William Carvalho; trata-se de um jogador com características muito especiais na posição em que joga, sendo claramente uma referência do chamado futebol de posse, pela sua técnica refinada, visão de jogo e capacidade de passe. Noutro contexto tático, o William, nunca será um jogador vulgar, mas renderá sempre menos.

Quem vê jogar o West Ham, num estilo moldado no jogo direto da procura da cabeça do seu possante avançado Andy Caroll, perguntará o que é que os pés de veludo do William, lá andarão a fazer.

Lembro-me de um Arouca-Sporting em 2013, em que o treinador de então, Leonardo Jardim, empatado 1-1, a meio da segunda parte, tirou o William, que estava a ser o melhor jogador e fez entrar o Slimani, que veio a marcar o golo da vitória. Razão? Leonardo, esclarecido, como de costume, percebeu que William não encaixava num esquema tático que, face às condições do terreno, mandavam despejar jogo na área do Arouca. E assim o Sporting deu a volta ao marcador.

William pode ir realizar muito dinheiro para o West Ham, mas não creio que se vá realizar como jogador, muito menos ganhar o que quer que seja.

O talento de William merece outros voos. Diria mesmo mais: mais vale ser campeão no Sporting e querido de todos, do que rico e anónimo, numa equipa inglesa de terceira linha.

Os adeptos do Sporting agradecem e estou em crer que o selecionador nacional também

26.12.2017
M M