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O canto do Morais

Carlos Barbosa da Cruz
Carlos Barbosa da Cruz Advogado

Nova SAD

Das coisas que os múltiplos candidatos deveriam discutir eram os modelos de gestão da SAD. Infelizmente, até agora, nada vi. E com alguma deceção, porque o tema é realmente importante.

Explico o porquês. Em meu entender, uma sociedade anónima desportiva tem de ter uma estrutura de governance profissionalizada e competente, desejavelmente imune às turbulências dos processos eleitorais e quejandos, do acionista clube.

Deu-me que pensar, esta cena da crise do Sporting contaminar a estabilidade da SAD, a ponto dos elementos destituídos (com justa causa) do clube, permanecerem como gestores desta. Acresce que os méritos e predicados, que levam os sócios do Sporting a votar em determinado candidato, não fazem dele, necessariamente, um gestor, sequer recomendável, para a SAD.

Veja-se o recente exemplo do destituído presidente, que, da sua caótica experiência do mundo da construção civil, aterrou como plenipotenciário da SAD, causando os efeitos nefastos que se conhecem. Com os acontecimentos de Alcochete, a dispensa do treinador contratado à pressa, o adiamento no reembolso obrigacionista, o compasso de espera da CMVM na aprovação do folheto da nova emissão, a SAD vive o maior buraco reputacional da sua história.

E se há erros que, infelizmente, já não se podem remediar, ao menos que se aprenda com eles. Bismark dizia, e com razão, que sai mais barato aprender com os erros dos outros do que com os próprios.

A SAD deverá ter uma governance dual, traduzida num Conselho Geral e de Supervisão, onde tomam assento os representantes dos acionistas e ao qual cabe as definições estratégicas e o acompanhamento da gestão e um Conselho de Administração Executivo, profissional, a quem compete dirigir e representar o clube.

Com toda a probabilidade, às eleições de 8 de setembro poderão seguir-se outras, porque as coisas são claras, com os candidatos que já há e mais os que hão de vir, quem ganhar terá seguramente uma pequena vitória, ou seja abaixo dos 50 por cento. Esta contabilidade poderá conduzir a uma direção enfraquecida, o mesmo é dizer, contestada, o mesmo é dizer, a novo ato eleitoral.

Espero e desejo que tão sombrio panorama não se venha a verificar, mas, em caso afirmativo, há que ter a lucidez de proteger os ativos mais valiosos do clube das instabilidades eleitorais, da impreparação dos eleitos, das tentações maduristas. Quer isto dizer que sou apologista de que o acionista Sporting deixe de mandar na SAD? De maneira nenhuma; o que precisa é de conjugar as prerrogativas de orientação, que se reconhecem a quem é dono, com as exigências de qualidade e rigor governativo, que quem é dono nem sempre consegue assegurar.

É uma mudança de paradigma, reconheço, mas recomendável, face aos tais ensinamentos que os pretéritos disparates nos transmitem.
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