O canto do Morais

Carlos Barbosa da Cruz

Carlos Barbosa da Cruz

Advogado
Carlos Barbosa da Cruz

O caminho do título

Dobrado o cabo da primeira metade do campeonato, será oportuno fazer uma serena análise do desempenho da equipa neste período e uma antevisão daquilo que pode estar para vir.
Coisas boas, primeiro.

Houve um visível reforço da união entre a equipa e os seus adeptos, dentro e fora do campo. Sente-se o entusiasmo que a rodeia, mesmo nos jogos da Champions, em que o Sporting se exibiu bem, mas não ganhou.

Como não conheço nenhum caso de clube que ganhe sem o respaldo dos seus apoiantes, diria que o primeiro pressuposto de sucesso, está preenchido.

O ano passado, o Sporting marcou praticamente os mesmos golos que os seus rivais, mas sofreu o dobro, o que explica a classificação; essa vulnerabilidade está hoje fortemente atenuada, fruto do reforço criterioso no sector defensivo, e, pelo menos, o Sporting já não encaixa aqueles golos infantis, de livres laterais, que deixavam os adeptos exasperados.

O Sporting está mais equipa e se o saldo da passagem dos Andrés, Elias, Castaignos e Campbell foi objetivamente desastroso, houve uma recomposição serena do plantel, que lhe transmitiu qualidade e sobretudo, equilíbrio. A contratação de Bruno Fernandes, foi, de entre todas, a mais cintilante e muita dor de cotovelo deve grassar hoje na concorrência, porque estavam mesmo a dormir...

Finalmente, considero altamente positivo que o Sporting, em meados de janeiro, esteja ainda, em todas as frentes, a lutar pelos respectivos títulos; é evidente que, com o plantel curto que existe, alguma coisa, naturalmente, ficará pelo caminho, mas que esta situação põe o astral lá em cima, disso não restam dúvidas.

Agora a lista das apreensões.
Ando a rezar a todos os santinhos, para que o Bas Dost não se magoe, porque não existe, para já, alternativa de substituição à altura; regozijo-me, obviamente, com a mais valia que a vinda do Rúben Ribeiro representa, mas também precisamos de quem empurre a bola para a baliza e a boa vontade do Doumbia só, não chega.

Não me entusiasma o confronto direto com os rivais (empatámos com o Benfica, Porto e Braga, estes últimos em casa) e temos um segunda volta minada, com saídas quentes (Dragão, Chaves, Braga, Funchal), algumas com provável rota de colisão, de jogos europeus.

O caminho do título não está, pois, isento de escolhos e falo só dos desportivos, porque para além desses há, como se sabe, muita emboscada oculta. Sempre achei que na vida, como em tudo, ter os olhos bem abertos é melhor que alimentar ilusões e quanto mais o Sporting não embarcar em triunfalismos precoces, mais capaz será de superar os problemas.

É na adversidade que se forjam e revelam os grandes e, por isso, continuo a acreditar.

Vemo-nos no Marquês, para o campeonato e para a Taça de Portugal.

16.01.2018