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O canto do Morais

Carlos Barbosa da Cruz
Carlos Barbosa da Cruz Advogado

Os campeonatos da discórdia

Andei a ler o que havia sobre a questão dos Campeonatos de Portugal, disputados entre 1921/1922 e 1938/1939 e chego à conclusão que há nesta polémica coisas assustadoramente disparatadas. O primeiro reparo a fazer é que os factos devem ser valorados no contexto da época em que ocorreram; em 1921/1922, o Campeonato de Portugal foi apenas disputado entre Sporting e Porto, porque as equipas das restantes associações não tinham dinheiro para custear as deslocações. Isso tira mérito à vitória do Porto (em finalíssima)? Quem ganhou teve culpa?

Depois, há inúmeros testemunhos que o vencedor do Campeonato de Portugal (mesmo nos quatro anos em que conviveu com o Campeonato da Liga) era reconhecido e aclamado como o Campeão de Portugal. Os clubes à época disputavam as provas no modelo que a União Portuguesa de Futebol (de 1914 até 1926) e a Federação Portuguesa de Futebol (de 1926 em diante) organizavam.

Pergunto, as equipas que venceram (entre os quais o Olhanense, Marítimo e Carcavelinhos), tiveram alguma culpa que o sistema fosse de eliminatória? São campeões esquecidos, por esse motivo? Em janeiro de 1939 a FPF altera o regulamento das provas e substitui o Campeonato da Liga pelo Campeonato Nacional e a Campeonato de Portugal pela Taça de Portugal. Este argumento tem sido esgrimido em dois sentidos, o de que só há campeões nacionais a partir de 1939 e que as equipas que antes venceram o Campeonato de Portugal, quando muito teriam ganho uma espécie de Taça de Portugal.

Com o devido respeito, a deliberação da AG da FPF só valerá para o futuro e não é lícito a partir dela tentar reescrever a história, que é clara. Durante uns anos, o campeão de Wimbledon era apurado em regime de challenge, ou seja o campeão do ano anterior só jogava a final, contra aquele que se apurasse nas eliminatórias; não passa pela cabeça de ninguém, que quem ganhou Wimbledon assim, (respeitando os regulamentos de então) seja menos campeão do que aqueles que hoje disputam sucessivos rounds.

Se as equipas que ganhavam o Campeonato de Portugal eram tidas como campeãs (mesmo coexistindo com o Campeonato da Liga, durante quatro anos) e era a única prova de âmbito nacional organizada, qual a razão materialmente relevante de a FPF não incluir essas vitórias no número de campeonatos alcançados? Esta atitude da FPF tresanda a revisionismo histórico; é como aquelas fotografias dos desfiles da Praça Vermelha em que, depois das purgas estalinistas, faziam desaparecer a cara do Béria.

É, para além disso, tremendamente injusta para os atletas que disputaram galhardamente em representação dos seus clubes, as competições e as venceram, é caso para dizer, limpinho, limpinho... Esta verdade é tão óbvia que não vislumbro o alcance da nomeação de uma comissão dita independente, pela FPF, para propor uma solução.

Estou de acordo que o Sporting deve estar na linha da frente desta causa; sugiro mesmo que num futuro jogo, se coloque o número 22 nas camisolas, ou se não for autorizado, que as mesmas incluam os nomes dos atletas que ganharam os quatro campeonatos, à cabeça, o imortal capitão Jorge Vieira, 18 anos de leão ao peito.
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