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O canto do Morais

Carlos Barbosa da Cruz
Carlos Barbosa da Cruz Advogado

Rúben sim tino

Quando o Ruben Semedo, foi repescado ao Vitória de Setúbal, onde estava emprestado, na janela de Inverno de 2016, achei que estava ali uma solução para os problemas defensivos do Sporting e quiçá da seleção, tão carecida de rejuvenescer as suas linhas atrasadas.

Bem sabendo que a folha disciplinar do Ruben, não estava isenta de problemas pretéritos - foi apanhado a guiar sem carta, pegou-se com um colega nos treinos, foi expulso contra o Porto B e atirou a camisola ao chão, etc - pensei que os anos a rodar por fora e a tutela de Jorge Jesus, lhe poderiam transmitir algum amadurecimento.

Isto, porque talento, qualidades técnicas e presença física, não lhe escasseavam. Vamos ser claros, Ruben possuía todos os atributos para ser craque. Só faltava ele querer.

Todos nos recordamos que as coisas no Sporting não se passaram especialmente bem, a sua generosidade e entrega, manchadas por acumulações de amarelos e algumas desatenções fatais, que lhe valeram a, sempre desconfortável, animosidade assobiativa dos sócios.

A transferência do Ruben para o Villareal deixou sentimentos contraditórios, de ver partir uma promessa, mas que, pelo andar da carruagem, eventualmente já não passaria disso.

A comunicação social fez eco, na última semana, no envolvimento de Ruben, em zaragatas à saída de uma discoteca e de uma casa de alterne (!!) em Valência; quero acreditar que o Ruben não será culpado das condutas impróprias que lhe imputam, mas a questão, por ora, não é essa.

Ruben, tem um empresário, de nome Catió Baldé, que o Sporting, infelizmente, conhece bem, desde a novela Bruma; perguntado, limitou-se a comentar, sibilinamente, que o Ruben "estava no local errado à hora errada".

Parece óbvio, que o Ruben tem na vida, dois problemas: ele próprio e um empresário que não está altura do seu papel, porque, em circunstância nenhuma, um futebolista profissional, mesmo em dia de folga, é suposto misturar-se com casas de alterne. E, se por acaso, prevarica, pede desculpa, não inventa desculpas.

Não sei qual vai ser o futuro de Ruben, mas temo bem, que vá engrossar o numeroso contingente daqueles que poderiam ter sido, mas nunca foram. E, o que custa mais, é que há os que falham porque, tentando, não conseguem, mas, no caso do Ruben, será apenas e só, porque não quis.

Desejo que aquilo que ensinaram ao Ruben em Alcochete e que contribuiu para fazer tantos colegas dele, profissionais de excelência, o ajude a dar a volta por cima.









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