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O canto do Morais

Carlos Barbosa da Cruz
Carlos Barbosa da Cruz Advogado

Tu no me gustas

Confesso que tinha alguma curiosidade de saber as razões pelas quais o presidente do Sporting me incluía na lista dos ‘sportingados’. Tendo ele feito o favor de as divulgar, vale a pena analisar as três razões fundamentais da minha distinção.

1. O presidente não gosta da minha honestidade intelectual; tem todo o direito de fazê-lo, até porque a mim também não me agrada a sua. Estando, porém, no domínio do subjetivismo, tratando-se de meros artigos de opinião, entendo que esta é sobretudo uma avaliação de natureza literária que, seguramente, não poderá justificar a minha entrada no index.

2. O presidente acha que faço insinuações perigosas à sua pessoa. Causa-me alguma perplexidade este argumento, porque não conheço maneira de medir os níveis de perigosidade causados pelas minhas alegadas insinuações. As insinuações podem ser desagradáveis, injustas, impertinentes e até constituir ilícitos criminais, mas daí a fazerem perigar alguém, vai, com certeza, uma grande distância. Como não vislumbro qualquer efeito da dita perigosidade naquilo que o presidente quotidianamente diz e faz, levo esse desabafo à conta de um melindre, de quem se sente desapreciado. Ou seja, o presidente do Sporting tem, de novo, todo o direito de não gostar do meu estilo, como eu não gosto do dele, mas isso não faz de mim um herege, nem dele um mártir.

3. Sou sogro de Tomás Froes, putativo candidato a futuras eleições e supostamente tomo, por ele, as dores de uma derrota eleitoral, de há sete anos; é uma espécie de azia por procuração.
E o mais extraordinário é que o sogro, ou seja eu, entra na lista, por via dessa relação de afinidade, mas o genro fica de fora (ainda bem para ele). Nem o Marquês de Pombal, na sua sanha persecutória contra os Távoras, se lembraria de semelhante ardil. Fico mais aliviado, porque agora se tornou evidente que a animosidade que o presidente do Sporting nutre contra mim nada tem a ver com o Sporting, tem a ver apenas com ele; ou seja, como muitos, sou ‘sportingado’ por embirração pessoal.

O presidente do Sporting tem esta crónica tendência de se confundir com a instituição que representa, é um tique próprio de sistemas autocráticos, mas para mim as coisas são claras. Como clara está a ameaça de que o presidente do Sporting se vai demitir, em caso de um desfecho desfavorável na assembleia geral de próximo sábado.

Não o fará e, se o fizer, é apenas para esticar a corda e candidatar-se de novo. Não foi o próprio que, num momento de candura, reconheceu publicamente, que ninguém lhe daria um emprego?
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