O canto do Morais

Carlos Barbosa da Cruz

Carlos Barbosa da Cruz

Advogado
Carlos Barbosa da Cruz

Uma defesa para a Rússia

Eu sei que dá azar, cantar vitória antes de tempo, mas, honestamente, com a qualidade da Seleção que temos, nem me passa pela cabeça que o apuramento automático para o Mundial, não seja conseguido. Fernando Santos é um homem de fé, mas também um homem de sorte.

Digo isto porque as circunstâncias têm-lhe permitido juntar à Geração de Ouro que ganhou o Europeu, outra geração de ouro, que vem dos sub-21, numa sobreposição histórica ímpar. A natural curva descendente de jogadores como Nani, Eliseu e o próprio Moutinho é compensada com a ascensão de valores como o André Silva, o Gelson, o Renato, o Nélson Semedo, o Bernardo, o Bruno Fernandes, permitindo uma transição sem perda de qualidade, antes pelo contrário. A tão propalada decadência do Cristiano Ronaldo, essa, o próprio se encarrega de a desmentir, ano após ano.

Portugal pode apresentar no Mundial uma equipa mais forte e homogénea do que no Europeu. E, sendo assim, todos os sonhos são permitidos. Com um senão. O centro da defesa está a envelhecer e não se vislumbra, neste setor, a abundância de alternativas que existe noutros.

Temos três trintões, o Pepe, o Fonte e o Bruno Alves, e o Luís Neto fará trinta para o ano. Tirando o Pepe, nenhum deles joga em clubes de referência e estão, merecidamente, em fim de carreira; em 2018, o nosso Bruno soprará 37 velinhas...

Fique bem claro que não está em causa o valor, já mais que comprovado destes atletas, outrossim e apenas a sua capacidade em apresentar um rendimento consentâneo com o da restante equipa. A questão é bicuda, porque o Rúben Semedo, tem qualidade, mas também lapsos frequentes de concentração que o comprometem; o Tobias Figueiredo leva mais tempo a amadurecer do que o esperado; o Paulo Oliveira foi remetido para o esquecimento de uma equipa espanhola do sobe e desce e o Tiago Illori, francamente, já nem sei por onde anda. Gostei da atitude daquele rapaz do Benfica, o Rúben Dias, mas pareceu-me ainda, naturalmente, verdinho. O Daniel Carriço tem estado parado.

O resto são estrangeiros anónimos ou jovens prometedores, mas sem traquejo de alta competição. Com este quadro até percebo que o Fernando Santos continue a apostar na veterania, mas a renovação afigura-se imperiosa. E bem difícil.

Resta uma consolação. O Danilo e o William jogam bem em terrenos mais recuados. Já os vi, a ambos, jogar a defesacentral e, como grandes jogadores que são, adaptam-se em grande estilo. Será este o coelho que pode saltar da cartola e levar Portugal, pela primeira vez na sua história, à final de um Mundial?

03.10.2017
M M