Verde na bola

Daniel Oliveira

Daniel Oliveira

Analista Político
Daniel Oliveira

Jesus e o Facebook

Bruno de Carvalho tomou duas decisões importantes esta semana: manter Jorge Jesus e abandonar o Facebook. A primeira é uma escolha que também terá consequências para si mesmo. Escrevi há uma semana que o ciclo de Jorge Jesus parecia esgotado. Porque o brutal investimento que o clube está a fazer no treinador, estando entre os mais bem pagos do mundo, só poderia resultar numa evolução rápida. Assim parecia estar a acontecer na temporada passada, assim não aconteceu nesta. Não foi este o entendimento do presidente do Sporting e oxalá seja eu a estar enganado e ele certo. A escolha, que respeita a promessa eleitoral de Bruno de Carvalho, tem um resultado óbvio: a ausência de resultados, já no próximo ano, recairá sobre o presidente. Não pode criticar os adeptos por serem benevolentes com os "meninos" das modalidades enquanto ele próprio absolve um treinador pago a peso de ouro de uma época catastrófica.

A outra decisão é positiva. Bruno de Carvalho queixa-se de uma confusão entre proximidade com os sportinguistas e o direito que outros sentem a incomodá-lo e a envolverem-se na sua vida pessoal. Não é confusão: estar demasiado próximo, fazendo desabafos nas redes sociais, leva ao imediatismo e à falta de ponderação. Por parte do dirigente e dos que a ele reagem. Por mim, que tenho elogiado o papel de Bruno de Carvalho como presidente e criticado o excesso de informalidade com que fala em nome do clube, penso que o fim da sua página de Facebook é um passo no caminho certo. Passado o modismo, os dirigentes de instituições vão aprender que a gestão dos seus perfis nas redes sociais deve ser feita por profissionais e para fins estritamente institucionais. De resto, são um perigo desnecessário.

18.05.2017
M M