A opinião de João Benedito

A semana do Sporting-Benfica

Sócios e adeptos, de ambos os clubes, já sentem o gosto especial do confronto de velhos rivais, joga-se o Sporting -Benfica. Uma semana onde se acentua a atenção às notícias, as conversas sobre o momento das equipas e, não poderia deixar de ser, as brincadeiras em jeito de provocação. Saudáveis e características de um momento social – só isso basta e basta-nos!

Treinadores aprimoram a tática e adequam a sua estratégia consoante as ideias e opções para o jogo em causa. A velha questão de manter a identidade ou adaptar-se ao adversário invade as cabeças pensantes da estrutura e decisores. Acredito que os grandes treinadores tenham os seus modelos enraizados e estes jogos, entre executantes de topo, sirvam para os desafiarem. Aceito algumas adaptações devido a condicionantes físicas ou disciplinares. Normalmente, embora não seja regra, ganha quem inventa menos! Querer fazer das mudanças trunfos mediáticos só aproxima a derrota.

Jogadores são invejados por poderem entrar em campo e, lá está, participar ativamente no que realmente interessa: o jogo. Preparam-se como habitualmente, olhando a todos os pormenores do seu dia-a-dia por entre treinos, alimentação e hábitos de vida totalmente virados para a sua profissão. Nos dias de hoje, para um grande atleta, ou para aqueles que aspiram a ser dos melhores, a preparação começa muito para além da semana do foco. Vivemos a era do atleta ao invés da do futebolista e isso requer exigência para se ser competitivo. É imperioso que os próprios tenham noção disso!

Os dirigentes tendem a ficar ansiosos e eriçados. Fazem manobras de diversão que julgam ser causadoras de vitórias. Comportam-se por vezes (ultimamente muitas vezes) de forma acicatadora e distrativa daquilo de que todos gostamos: os noventa minutos em que a bola rola. Ter jogado estes jogos e andar dentro do campo, onde as palavras dão lugar às fintas, aos dribles, à tática da força ou a força da tática, far-lhes-ia muito bem e bem ao desporto. Dava para entender o que, e quem, realmente importa!

Aos árbitros, ouvi Pierluigi Collina dizer no Football Talks que estes são cada vez mais atletas e, dizem as estatísticas da UEFA, acertam numa percentagem superior a 95% das vezes. Um conselho: não se deixem envolver pela atmosfera antes e durante a partida. Não é fácil estar lá e ter sangue de barata, é sabido! Da minha parte estou convicto de que os 4/5% não acontecem de forma premeditada. Eu acredito que não! Façam, pois, por nos fazer acreditar a todos. Como? Preparando-se e fazendo um bom trabalho.

Espero que, no domingo e restante semana seguinte, estejamos todos a falar da jogada, do golo, da festa nas bancadas, dos duelos, das defesas, dos remates e de nada mais do que o jogo jogado naqueles 90 minutos! Discutir conferencias de imprensa ou bate-boca de pessoal engravatado não é o que nos leva a gostar destes dias especiais. Onze contra onze e que role a bola, só quem não esteve lá dentro é que se importa com outras coisas.

Autor: João Benedito

21.04.2017
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