O assunto raramente é discutido, mas o facto é que a temporada de 2018/19 marca o início da vigência dos novos contratos televisivos. De um bolo global que não atingia os 100 milhões de euros, os emblemas da 1ª Liga dão um salto para perto dos 200 milhões de euros e têm a garantia de esse fluxo financeiro durar pelo menos uma década. Pela tabela vigente, um clube considerado pequeno passa de 2,2 milhões de euros anuais para 3,6 milhões pela cedência dos seus direitos televisivos no campeonato. Um aumento de dois terços num capítulo vital para o suporte orçamental, enquanto Sp. Braga e V. Guimarães, por exemplo, dobraram, grosso modo, os encaixes.
Tive o prazer de moderar, em representação de Record, um debate entre Pedro Proença e o seu homólogo espanhol, Javier Tebas. O líder de La Liga sublinhou a importância de assegurar uma maior competitividade no campeonato português como pilar para a valorização do produto televisivo. Todavia, o fenómeno da aproximação do Sp. Braga aos grandes criou um fosso preocupante. Só uma vez, em 22 campeonatos a 3 pontos por vitória, a diferença entre o 4.º e o 5.º tinha atingido a dezena de pontos. Em 2017/18, o Sp. Braga ficou 24 pontos acima do Rio Ave!
É impossível esquecer, ainda, que os quatro grandes só perderam pontos em casa, contra rivais de fora desse 'Big 4', à 32ª jornada, quando o Tondela triunfou na Luz. Pelas prestações de Benfica, FC Porto e Sp. Braga, contra V. Guimarães, Chaves e Nacional, o cenário não está para mudar tão cedo. Mas, então, onde foi parar a tal chuva de milhões do bodo aos pobres? Como me dizia um dirigente, "é simples, a maioria recebe mais 1,4 milhões e os grandes auferem mais... 20 milhões". E depois ainda há quem diga que a 1ª Liga é nivelada por baixo.