Hora do chá

Eládio Paramés

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A vingança serve-se a frio

Cheguei a Skopje, capital da Macedónia, onde a UEFA teve a brilhante ideia de aqui fazer a Supertaça Europeia. Nada tenho contra os macedónios, obviamente, mas obrigar Manchester United e Real Madrid a viajar uns milhares de quilómetros não cabe na cabeça de ninguém. No meu caso, por exemplo, para aqui chegar tive de passar por Munique e Liubljana e permanecer mais de 10 horas em aeroportos e aviões.

Mas, como quem corre por gosto não cansa, cá estou preparado para assistir ao jogo e a torcer pela vitória do MU, o que me permitiria ver José Mourinho ganhar pela 1.ª vez este troféu. Não será nada fácil, mesmo se Ronaldo não jogar, como seria provável face ao tardio recomeço de treinos. Mas não acredito. O madeirense pode não fazer os 90 minutos todo mas quererá estar lá dentro alguns, sobretudo se o Real estiver a ganhar.

O Real é fortíssimo e tem jogadores experimentados e habituados a estes desafios, ao contrário da renovada equipa do United, cheia de qualidade mas com gente ainda em crescimento. Será, por isso, um jogo entre uma equipa acostumada a ganhar as provas mais importantes e outra a querer voltar aos tempos áureos em que era temida na Europa.

É, por isso, óbvio que Mourinho queira ganhar esta final, mas é também obviamente estúpido dizer – como disse a ‘Marca’ ontem na primeira página – que "quer vingança" e que passou a pré-época "centrado" no jogo de hoje. Como se, para o MU e para Mou, a época acabasse aqui. Ou é a habitual dor de cotovelo da imprensa madrilena ou a pré-desculpa para uma eventual repetição do desfecho do particular na California – a derrota.

Confesso que torço por esta segunda hipótese. Seja como for, com ou sem o madeirense, que seja um grande jogo de futebol. E que no final, seja José a servir friamente a ‘vingança’.

08.08.2017
M M