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Eládio Paramés

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Motorista do autocarro de Conte em greve

Registei uma declaração de Mourinho após a vitória (4-0) diante do Everton. Disse o treinador do Manchester United que a Premier estava mais defensiva. Tem razão. Não pelos resultados em si, mas, sobretudo, pelos desenhos táticos de algumas equipas.

Se olharmos para a forma como muitos dos adversários das equipas mais cotadas, como as duas de Manchester, se apresentam percebe-se que aquela Premier em que o essencial era meter a bola na baliza do contrário mudou. E mudou para pior. E para isso foi decisiva a influência de alguns treinadores. Como gosto de pôr o nome nas coisas, acrescento aquele que para mim foi o principal responsável: Antonio Conte!

O italiano joga com 5 defesas, 3 médios fechados e 2 jogadores no contra-ataque e este modelo, com o qual se sagrou campeão, influenciou muita gente, que passou a fazer o mesmo, principalmente nos duelos diretos, anulando-se mutuamente. Foi assim o Chelsea-Arsenal, o Tottenham-Swansea ou o WBA-West Ham. Resultado: todos no sistema Conte, todos terminaram 0-0.

Antes, havia casos pontuais, em que pontuar era obrigatório e isso ‘obrigava’ a estacionar um autocarro diante da baliza; nos jogos de hoje, os ‘motoristas’ dos autocarros estão em greve e estes não arrancam da sua área nem a reboque. É estranho.

E, mais estranho é, quando vemos equipas, como a de Conte, que tem jogadores de qualidade – Hazard, Morata, Pedro, Willian, por exemplo – que podiam furar a tal greve e ficam sentadinhos no banco. Estranho? Não! É uma questão de cultura tática ou não fosse ele italiano.

18.09.2017
M M