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Eládio Paramés

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Os cinco da vida airada

"Os jogadores fizeram-lhe a cama" – é uma frase ouvida com frequência mas cuja credibilidade poucos admitiam. Factos recentes acabam por demonstrar que estavam enganados e, afinal, sempre há jogadores que ‘despedem’ o treinador.

Aconteceu no Bayern, com Carlo Ancelotti. O italiano, que na época anterior vencera a Bundesliga, só com 3 derrotas em 34 jogos e só fora afastado da Liga dos Campeões pelo Real Madrid, foi simplesmente despedido porque tinha – pelo menos! – cinco jogadores contra ele.

Robben, Müller, Ribéry, Boateng e Hummels são os nomes que vieram a público e não se trata de uma ‘invenção’ jornalística, mas de uma confirmação oficial feita pelo presidente do clube.

"Não se pode ter cinco estrelas contra", disse Uli Hoeness, como justificação para o despedimento de Ancelotti. E Robben foi mais longe na indelicadeza (ia dizer baixeza…) ao afirmar que até o filho "tem melhor treinador".

Constatar que um presidente de um clube, que por acaso até foi internacional, utilize esta argumentação é inacreditável e inaceitável. Permite até que se pergunte quantas vezes não terá o futebolista Hoeness ‘arrumado’ com um treinador. Hoeness deveria ter vergonha por se ter vergado aos ‘cinco da vida airada’.

O seu comportamento é a assunção de que, afinal, quem manda não é o treinador, nem o presidente, mas os jogadores ou pelo menos alguns dos ditos ‘craques’.

É por estas e por outras que um treinador meu conhecido diz, com razão, que há jogadores que têm de ser tratados como pastilhas elásticas: assim que perdem o sabor há que cuspi-las!

02.10.2017
M M