Hora do chá

Eládio Paramés

Eládio Paramés

Eládio Paramés

Um treinador-lapa

Humilhante! Chocante! Inaceitável! Desastrosa! Quatro adjetivos que caracterizam bem a forma como a Inglaterra encarou a derrota do Arsenal diante do Liverpool. Adeptos, comentadores, ex-treinadores e ex-jogadores, todos foram unânimes nas violentas críticas ao comportamento dos gunners na cidade dos Beatles. Como se isso – a derrota - fosse uma novidade. E até Özil se viu compelido a pedir desculpa aos fãs, qual João Vieira Pinto obrigado a ler o comunicado escrito pelo Shéu após os 7-1 de Vigo. É claro que o facto de a equipa estar apenas com 3 pontos após outras tantas jornadas e se encontrar na 16.ª posição da tabela pouco significa nesta altura do campeonato. Apesar disso, as más exibições motivaram comentários tipo ‘ponham-se todos os jogadores na lista de transferências’ e o esquema montado por Wenger levantou questões para as quais ninguém encontra resposta. Não admira, portanto, que haja quem justifique as não renovações de Alexis Sánchez, de Oxlade-Chamberlain ou de Özil com o desapontamento destes jogadores com o clube e o seu ‘manager’. E estranha-se porque razão Lacazette, uma das mais sonantes e dispendiosas contratações do francês, foi deixado no banco.

Mas estas são questões às quais apenas Wenger poderá responder. Tal como apenas ele – e também o duo americano-uzbeque donos da maioria do capital do clube – poderá responder que motivos o levam a agarrar-se como uma lapa ao Arsenal. Até porque, como o próprio reconheceu na conferência após o jogo, "I’m the problem", ou seja, "O problema sou eu". E se ele é o problema, dizer ‘sorry’ não chega, há que ter as ‘balls’ no sítio e tomar a decisão certa, por mais difícil que ela seja. Quem continua a manifestar as suas tendências defensivas é Mourinho. Voltou a vencer diante de um complicado Leicester (muito ‘bem arrumado’ à Prof. Neca) e comanda isolado a liga. Claro – sem golos sofridos!

29.08.2017
M M