Desalinhado

Joaquim Evangelista

Joaquim Evangelista

Presidente da direção do SJPF
Joaquim Evangelista

Investimento vs competição

Tendo abordado as "loucuras" cometidas no mercado de transferências e os perigos que o atual sistema comporta para o futuro da modalidade, destaco os investimentos no futebol e a repartição entre os seus intervenientes, geradora de lutas desiguais entre aqueles que competem por títulos e os que competem pela sobrevivência económica e desportiva.

É sabido que o desporto, enquanto setor de atividade, não pode subsistir sem equilíbrios traduzidos na imprevisibilidade nos resultados, pelo que os agentes desportivos têm uma responsabilidade acrescida na gestão que realizam. Em Portugal, o ambiente está longe de ser propício a uma reflexão sobre medidas que reforcem a igualdade entre os competidores.

Além disso, a indústria promove o jogador de futebol como um produto, prosperando o individualismo e agudizando as diferenças entre os rendimentos auferidos.

Remando contra a maré, no campo da responsabilidade social os jogadores com maior capacidade financeira têm revelado consciência da posição que ocupam e vontade de fazer a diferença. São inúmeros os casos de solidariedade de jogadores portugueses, que enobrecem a classe e o país, mas recentemente mereceu destaque a iniciativa do espanhol Juan Mata, que doará 1% do salário a causas sociais, seguida por Mats Hummels, com o intuito de mobilizar toda a classe.

A solidariedade e o apoio a causas sociais são um dos grandes benefícios trazidos pelo sucesso da modalidade, mas é preciso fazer mais na relação entre os pares. Mecanismos que garantam o cumprimento das condições contratuais, a proteção no desemprego e na doença ou sustentabilidade no pós-carreira, são desejáveis e possíveis através de um esforço conjunto. É preciso fazer muito mais nesta matéria.

Devemos pensar o futuro da modalidade e a sustentabilidade do jogo, como um dever de todos os agentes envolvidos no fenómeno.

21.08.2017
M M