Clube dos Pensadores

Joaquim Jorge

Joaquim Jorge

Fundador do Clube dos Pensadores
Joaquim Jorge

FC Porto-Benfica: uma tragicomédia

Quem se pode queixar deste jogo são os adeptos e quem gosta de futebol. Um jogo pobre que teve pouco de futebol e boas jogadas e muito de casos e polémicas. O futebol português está transformado numa tragicomédia, que não sei onde vai parar, com esta espiral de tensão e de não aceitação, que o outro pode ser melhor do que nós. Depois não se queixem da debandada de adeptos.

Gosto de futebol, mas assim não! Dei o meu tempo como perdido e se continuar a este nível vou deixar de seguir os clássicos.

Com este grau de confusão, o jogo do Benfica com o Sporting, a 3 de Janeiro, vai ser lindo!

Raramente, escrevo sobre o futebol português não me fascina e enferma de casos a mais e futebol a menos. Os melhores jogadores e treinadores estão fora de Portugal.

Eu queria era ver o Jonas a jogar e fazer magia, ver o Marega a romper uma defesa e grandes jogadas colectivas.

Estava expectante que fosse um bom jogo, mas enganei-me. Jogo duro com imensas paragens e de fraca qualidade. A emoção imperou somente pela incerteza do resultado.

O Benfica, entrou ao ataque, sem medo e a comandar o jogo, o que me surpreendeu, todavia na segunda-parte o jogo mudou radicalmente e quem impôs a sua valia foi o Porto. Era o que lhe competia, estava a jogar em casa.

Um jogo com entradas a raiar a agressão e com todo o tipo de contornos, com a entrada de um adepto do Porto a agredir Pizzi, que não gostou de ser substituído e dirigiu algumas palavras a Rui Vitória. Um jogo que deu para tudo, até o sururu final devido à bola de jogo entre Marega e um director do Benfica.

Exemplos destes não dignificam o futebol e são um mau exemplo social.

Não faltou uma expulsão de Zikovic, nem chegou a aquecer, entrou e saiu; impediu a cobrança de um livre e derrubou Otávio.

Do jogo, per si, o Porto queixa-se de dois penáltis por marcar e um golo anulado. Dos penáltis não me pareceu: o do Luisão, o árbitro Jorge Sousa consultou o vídeo-árbitro e nada assinalou.

No golo anulado tem total razão pois não há fora-de-jogo. O lance é parado pelo árbitro antes do remate, impossibilitando que o vídeo-árbitro intervenha para manter a verdade desportiva.

O Benfica pode queixar-se do árbitro, no lance da entrada duríssima de Filipe sobre Jonas. Aceitava-se o amarelo, mas se mostrasse o vermelho directo não escandalizaria e o jogo com o Porto com 10 poderia tomar outra feição. O árbitro nada mostrou, ao invés, expulsou Zikovic por muito menos.

Acabou o jogo e as labaredas continuaram: o Benfica exige a interdição do Estádio do Dragão; o Porto queixa-se do árbitro.

Casos à parte, como diz o director do Record, António Magalhães e o comentador SportTv, Pedro Henriques num debate no Clube dos Pensadores, "o culpado no futuro vocês vão ver é o VAR".

Há sempre culpados, mas em primeiro lugar são os jogadores pelo que fazem em campo. São os artistas e o Porto pode queixar-se da infelicidade de Marega.

Marega é um jogador possante que vai a todas, mas esteve numa noite infeliz. Se ele marca e o Porto vence, tudo que se empolou e dissecou passaria para as calendas gregas.

Espero no futuro mais futebol que se fale de belas jogadas e menos pancada, assim como, atitudes e comportamentos nada edificantes.

Fundador do Clube dos Pensadores
*escrevo ao abrigo do antigo AO

07.12.2017
M M