Caderno de apontamentos

Jorge Barbosa

Jorge Barbosa

Editor chefe
Jorge Barbosa

Nas mãos de Jesus

O clássico da Luz confirmou, afinal, o que já se esperava: o combate será duro e difícil entre Benfica e FC Porto pela conquista do título nacional, num momento em que as duas equipas estão separadas apenas por um ponto, o que não é nada, e quando ainda faltam sete jornadas para o fecho do campeonato que, desta vez, afastou o Sporting de Jorge Jesus bem cedo da corrida pelo primeiro lugar. Mas quis o destino que o Sporting de Jesus, que já foi do Benfica, possa ser determinante na contabilidade final da competição, pois tudo vai depender do que fizer, em Alvalade, no jogo com a equipa de Rui Vitória. Será, pois, uma ponta final de grandes emoções, uma prova à maturidade e à resistência de cada uma das equipas; enfim, quem melhor conseguir controlar os momentos de alta pressão terá uma pequena vantagem.

O clássico da Luz provou ainda que o Benfica, por esta altura, se encontra com melhor fôlego físico do que o seu adversário direto, confirmando igualmente que ataca melhor mas defende pior, enquanto o FC Porto revelou uma extraordinária motivação, com jogadores que sabem liderar-se a si próprios nos momentos de grande pressão, e que sabem lutar com bravura face às adversidades, o que pode ser um detalhe fundamental. O clássico da Luz confirmou ainda que Jonas tem tanto de bom jogador como de provocador – para sermos brandos no comentário – e que Maxi não é daqueles que pede desculpa por marcar golos à sua ex-equipa, como tantos outros por aí fazem. Mas o clássico da Luz também deixou evidente que o FC Porto voltou a perder a oportunidade de assumir a liderança, embora a estrutura desta vez não tenha contestado a arbitragem e só tenha cerrado os dentes para as câmaras e sem necessidade.

Daqui resulta que o tricampeão nacional dispõe de condições invejáveis para renovar o título e que o FC Porto passa a ter uma maior pressão porque não pode falhar. Após a arbitragem de Xistra, imune a polémicas, só se espera que este seja o exemplo a seguir até ao fim, e que tanto o Benfica como o FC Porto tenham a capacidade e a frieza de resistirem à tentação de alhear responsabilidades dos erros que, como é normal, ainda vão cometer.

05.04.2017
M M