Caderno de apontamentos

Jorge Barbosa

Jorge Barbosa

Editor chefe
Jorge Barbosa

Só falta a parte do leão

Para já, o Benfica cumpriu com metade da sua obrigação na eliminatória com o Dortmund, faltando agora só a parte do leão, ou se preferirem a melhor parte, para chegar aos quartos-de-final da Liga dos Campeões – uma competição em que Luís Filipe Vieira insiste em ganhar, embora hoje em dia de forma não tão obstinada como já foi, mas que está sempre presente no seu pensamento, como ainda se viu na última semana. O que só se lhe fica bem aliás, pois revela a sua ambição à frente de um clube que está habituado a vitórias. O Benfica tem hipóteses de ultrapassar esta competente e poderosa equipa alemã, que é dirigida por Thomas Tuchel, um dos melhores treinadores da atualidade? Obviamente que tem, e vai com certeza prová-lo já hoje no terreno de jogo.

Do que se tem visto do atual tricampeão nacional conclui-se, sem dificuldade, que o Benfica está bem embora já tivesse estado melhor esta época, quer dizer, continua a ser uma equipa segura e ganhadora, que entende o jogo de forma a que pouco a surpreenda, e que é dirigida por um treinador que não se prende ao drama das adversidades, das ausências por lesão ou até mesmo das polémicas com arbitragens; pelo contrário, projeta sempre vibrações positivas para o seu grupo, fazendo os jogadores acreditarem que há sempre uma solução na manga. As quebras de rendimento individuais são um facto, mas o coletivo tem mantido a equipa no topo, o que só revela o mérito de Rui Vitória.

E é por aqui que se deve criar a convicção de que é de todo possível resolver a eliminatória em Dortmund. Há sinais evidentes de que existe uma genuína ambição europeia, que não é de todo desvalorizada pelo ardente desejo de alcançar um histórico tetracampeonato. Esta atitude, onde o medo não tem lugar, também faz parte da identidade de um grande clube, como é o caso do Benfica, onde a cultura de vitória deve manifestar-se em todos os momentos e em todas as frentes, em qualquer lugar e perante qualquer adversário por mais forte que ele o seja, como é o caso deste Dortmund. É esse o caminho que Rui Vitória decidiu percorrer contrariamente ao que sucedeu com Jorge Jesus.

07.03.2017
M M