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À minha maneira

José Manuel Freitas
José Manuel Freitas

Queremos muito mais!

No plano emocional, tudo bem: Portugal está a um escasso ponto de se apurar para a fase seguinte do Mundial, por força da ‘goleada’ frente a Marrocos, e daí perceber a euforia em que se encontra o País. Porque foi mais ou menos assim, com um futebol curtinho, engasgado, sem ponta de invenção, que a Seleção conquistou o Campeonato da Europa. O pior é quando peço a mim próprio para ser racional. E nesse plano não podia estar mais desencantado depois do que se passou no jogo desta quarta-feira. Não fiquei com uma lágrima ao canto do olho... mas quase. A ponto de questionar: e se Portugal não pudesse contar com a superior qualidade de Cristiano Ronaldo?

Portugal está cada vez mais Ronaldodependente? Julguei que essa fase estava ultrapassada. Especialmente porque emergiu uma série de futebolistas, ainda jovens mas de muita qualidade, que possibilitam a Fernando Santos um leque de alternativas que não teve em França. Porém, olhando para o que se passou nos dois jogos, especialmente frente a Marrocos, uma vez que a exibição do capitão frente aos espanhóis fica para a história dos Mundiais, e também porque o selecionador parece ainda não ter acertado com a melhor fórmula, não restam grandes dúvidas de que sem CR7 possivelmente Portugal estaria agarrado à calculadora, ou mesmo fora da competição. Porém, falta um escasso ponto.

Mas mesmo faltando esse escasso ponto será exagerado clamar por um melhor futebol em função da qualidade global da equipa? É que se continuar a jogar este futebolzinho de terceira, mesmo liderado por esse jogador estratosférico que dá pelo nome de Cristiano Ronaldo, será de todo impossível Portugal manter vivo o sonho em que tantos milhões já acreditam. Nas últimas horas tenho ouvido com insistência nos mais variados quadrantes que foi assim que se chegou ao título europeu. Peço muita desculpa, mas em França, sem nunca ter feito jogos de encantar - no consulado de Fernando Santos é difícil encontrar um jogo que nos deixasse de sorriso de orelha a orelha - Portugal jogou um bocadinho melhor do que tem feito na Rússia. Só que, até porque o selecionador já defendeu que pretende elevar a fasquia, acredito que o selecionado vai muito a tempo de jogar melhor futebol e convencer, em definitivo, aqueles que tão eufóricos ficaram pelo triunfo frente aos marroquinos. Todos nós devemos querer mais desta equipa. Todos nós devemos acreditar que isso é possível.
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