A marca amarela

Antes de entrar na Luz, na terça-feira, o Borussia Dortmund exibia um registo de 15 jogos sempre a marcar (total de 32 golos, o que dá uma média um pouco acima dos dois por desafio). Curiosamente, essa caminhada começara frente ao Sporting (1-0), na Alemanha, em jogo da 4ª jornada da Liga dos Campeões, prova na qual os germânicos apresentaram o melhor ataque entre as 32 equipas da fase de grupos, com 21 golos.

Só em jogos a contar para as competições da UEFA, o Borussia marcava há 12 desafios consecutivos (seis na Champions deste ano, seis na Liga Europa 2015/16, com 33 golos) e nas contas gerais da temporada em curso ficara em branco apenas em quatro ocasiões: jogo da Supertaça frente ao Bayern Munique, 0-2; três confrontos na Bundesliga (RB Leipzig, fora, 0-1; B. Leverkusen, fora, 0-2; Schalke 04, casa, 0-0).

Apresento estas credenciais para destacar, ainda mais, o zero com que os alemães saíram da Luz, colocando um ponto final nas duas séries merecedoras de toda a atenção. Perceber, a partir daqui, se houve mais mérito do Benfica ou demérito do B. Dortmund, não é consensual, admito. Para os adeptos encarnados a resposta estará, por certo, no mérito do magnífico Ederson; para os amarelos o dedo do demérito já foi apontado na direção do desastrado Aubameyang, ‘só’ o melhor marcador da Bundesliga.

Ambas as visões sobre o desfecho do jogo estarão corretas e em medidas semelhantes, mas passado que foi esse confronto importa realçar que uma noite tão anormal raramente ocorre de forma consecutiva na mesma temporada. Mas são noites assim que por vezes se revelam decisivas para alterar a lógica da discussão desta prova. O que se deseja, portanto, é que o Benfica demonstre outra capacidade em Dortmund por forma a tornar-se merecedor de tamanha fortuna na passada terça-feira. Caso contrário, esta vitória tão importante nem será nota de rodapé na história do clube.

P.S. Estava bom de ver: a Rússia ultrapassou Portugal no ranking UEFA e dificilmente voltaremos ao 6º lugar (seriam necessários milagres de Benfica ou FC Porto), significando isso que em 2018/19 passamos a ter apenas dois participantes na Champions. Até por isso, a época 2017/18 será mais quente.

16.02.2017
M M