Floresta de pernas

Leonor Pinhão

Leonor Pinhão

Jornalista
Leonor Pinhão

Previsão de uma vida de sucessos

O Benfica recebe esta noite o Belenenses no Estádio da Luz e o desejo da multidão benfiquista será ver Filipe Augusto entrar em campo o mais cedo possível porque sempre que Rui Vitória lança Filipe Augusto é sinal de que a coisa se resolveu a bem. Na segunda-feira, em Chaves, o nosso Filipe Augusto só entrou aos 90+4 minutos porque o Benfica só conseguiu marcar aos 90+2 minutos e como o árbitro – que, no fim do jogo, até recebeu uma camisola oficial das águias por deferência com a grande penalidade sonegada – concedeu 6 minutos de tempo extra só conseguiram descansar os adeptos do Benfica entre os 90’+4 e os 90’+6. Foi, assim, curto o descanso que nos foi dado no jogo de Trás-os-Montes que nem sequer foi um ‘clássico’. Já o desta noite, sim, é um ‘clássico’ com tudo o que isso implica de imprevisibilidade. Corram, corram. Parece que o Fejsa se lesionou. Mas que grande novidade. Corre, corre, Filipe Augusto.


André Silva estreou-se na quinta-feira em San Siro e marcou dois belos golos deixando os adeptos AC Milan felizes com a categórica apresentação do avançado. Mais contente do que os adeptos do AC Milan – e trata-se de uma plateia exigente – ficou, no entanto, o próprio André Silva. Festejou as proezas com um sorriso largo que não engana. Ficou, assim, aprovada pelos ‘tiffosi’ locais a contratação do jogador português e, melhor ainda, ficou também explicado o sentido da misteriosa frase do diretor de comunicação do FC Porto – "o melhor ainda está para vir!" – que se referia, como agora se percebe, ao brilhante futuro profissional que inevitavelmente aguarda André Silva depois de ter trocado de patrão. Tomara sobre tantos outros funcionários do futebol português poder vaticinar-se uma vida de êxitos deste quilate a cada mudança de entidade patronal.

Menos de 24 horas depois do encosto ao árbitro de Camp Nou ficou Cristiano Ronaldo a saber que o seu gesto lhe valerá 5 jogos de suspensão. Apreciem como a justiça desportiva espanhola é tão mais célere do que a nossa em matéria de decisões. Esta semana, por cá, houve a decisão do caso do túnel de Alvalade 283 dias depois da rixa tabernal entre os presidentes do Sporting e do Arouca. E até já se pensava que os prazos para a condenação destas inclemências estariam a evoluir para uma aproximação aos ritmos dos patamares disciplinares europeus.

Foi, porém, enganosa a esperança. Enganosa e induzida pelo facto de o castigo a Slimani pela cotovelada em Samaris ter demorado 203 dias a ser conhecido e pelo facto seguinte, tão promissor: o castigo ao mesmo Samaris pelo ‘uppercut’ a Diego Ivo demorou ‘apenas’ 44 dias a ser pronunciado. Deu-se, assim, a entender aos otimistas que estava em curso o progresso. É que de 203 para 44 dias, enfim, é outra aceleração. Agora, com estes 283 dias, voltou tudo a andar para trás. Ou para a frente, como preferirem. Estas conclusões dependem sempre da perspetiva.

18.08.2017
M M