Floresta de pernas

Leonor Pinhão

Leonor Pinhão

Jornalista
Leonor Pinhão

Tudo menos de penálti, por favor

Os sinais de que a recuperação de Jonas não tardaria em fazê-lo regressar ao seu posto de titular na equipa do Benfica trouxeram a primeira preocupação de 2017. Sim, soa a absurdo. Mas não é, como terão ocasião de entender. Voltando Jonas voltariam, mais cedo ou mais tarde, os golos de Jonas e a dificuldade maior seria a chegada do primeiro golo do avançado brasileiro, esse por quem a Luz se apaixonou, depois de uma ausência de meses e de agouros inusitados sobre o estado da sua saúde. Por tudo isto seria ótimo que Jonas marcasse um golo rapidamente para acreditar em si próprio e validar a alta médica que lhe foi concedida. E não podia ser um golo qualquer, teria de ser um golo à altura do talento do artista. A primeira preocupação de 2017 foi, justamente, essa. Com que golo vai Jonas voltar a encantar-nos e a tomar conta do seu lugar? E se Rui Vitória lhe confiar a cobrança de uma grande penalidade e se ele falhar, como reagirá Jonas animicamente a esse desgosto?

Regressar aos golos com um golo de penálti, não sendo épico, não é desconsideração para ninguém mas desperdiçar um pontapé de 11 metros depois de tão longa ausência poderia produzir efeitos nocivos para a moralização do jogador e para o processo de reintegração na equipa. E isto era francamente preocupante. Portanto nada de penáltis a favor do Benfica era o que se pretendia para a noite de terça-feira no Estádio da Luz. E assim mesmo o entendeu o árbitro da partida que fez vista grossa a uma belíssima infração cometida por um vizelense na sua área quando o resultado estava ainda num 0-0 motivador para a verdade desportiva.
Em resumo, com a colaboração do árbitro correu tudo bem a Jonas e ao Benfica na noite de terça-feira passada. Para proteger Jonas da angústia perante o castigo máximo o árbitro – benfiquista dos sete costados – decidiu que não houve falta mas o Benfica acabou por golear o Vizela sem precisar do tal penálti para nada e Jonas, para quem marcar um penálti é coisa pouca, voltaria aos golos com um pontapé soberbo na execução de um livre direto apontado a uma distância considerável da baliza do adversário. Depois ainda marcou um segundo golo numa cabeçada categórica dando o melhor seguimento a uma bola cruzada por um outro rapaz que por lá anda agora e se chama Zivkovic e que, se calhar, voltaremos a ver em ação hoje em Guimarães. É que também merece.

06.01.2017
M M